As aldeias apresentam-se de forma concentrada, sobretudo nas zonas mais montanhosas, existindo junto delas as áreas de agricultura mais produtiva. Campos onde a batata, o milho e o centeio se produzem numa rotação bienal, que permite a conservação e manutenção dos solos e a produção natural e equilibrada de alimentos.
Nas zonas mais baixas esta rotação complementa-se com a vinha, a oliveira e as árvores de fruto, naquilo que se denomina de policultura atlântica.
Enquanto o milho e o centeio serviam para fazer o pão, a palha de centeio representou durante séculos o recurso utilizado para colmar as casas. A auto-suficiência nestas paragens isoladas passava igualmente pela produção de linho que fazia enxovais e vestia as gentes, existindo ainda tecedeiras que o transformam em peças de "Natureza".
Dos baldios que alimentam as cabras, vêm igualmente os matos (plantas arbustivas com predominância para as urzes, os tojos e as carquejas) que servindo de "camas" para o gado irão produzir o estrume, que dará fertilidade aos campos.
Nas zonas mais húmidas e até alagadas, próximo de levadas e linhas de água, desenvolvem-se os lameiros; pastagens naturais utilizadas pelas vacas maronesas durante cerca de dez meses por ano, de onde só saem para o baldio, para que o feno cresça. Este servirá para a sua alimentação, quando o gelo e as neves invernais não permitirem a sua saída.
A sabedoria humana desenvolvida ao longo de séculos em terras de climas agrestes e rigorosos, incrementa a rega de lima, que permite lançar de modo permanente sobre o lameiro, uma fina película de água sempre em movimento, evitando assim que os gelos destruam a pastagem e comprometam a produção de erva na época estival.
Mas estas paisagens diversificadas de montanha não ficariam completas sem as bouças e as florestas. Nas primeiras, que são de particulares, encontramos o carvalho-negral (Quercus pyrenaica) e o vidoeiro (betula alba), habituados aos rigores do tempo e à altitude, enquanto nas zonas mais baixas e amenas despontam o carvalho-roble (Quercus robur), o freixo (Fraxinus angustifolia), o amieiro (Alnus glutinosa), o salgueiro (Salix spp) e aveleiras bravas (Coryllus avellana). Representam um recurso dos locais, para lenhas e madeiras de construção.
Nos vales mais encaixados, ensolarados e virados a Sul, de forte pendor mediterrânico surgem sobreiros (Quercus suber) e medronheiros (Arbutus unedo) . E um pouco por todo o território as florestas de pinheiros, que são fonte de rendimento comunitário das populações, quer pela venda das madeiras quer pela exploração das resinas.