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FAUNA


A intervenção do homem no Parque Natural do Alvão tem determinado a manutenção e o equilíbrio entre as diferentes formas de vida da fauna selvagem. Esta atitude tem contribuído para a diversidade biológica ao serem criadas novas unidades ecológicas (biótopos), campos agrícolas, lameiros, sebes, etc., que se associam aos biótopos naturais.

Até ao momento estão inventariadas cerca de 200 espécies no Parque natural do Alvão. Destas, cerca de 117 (58%) estão incluídas no anexo II da Convenção de Berna e 44 (22%) constam da lista de espécies ameaçadas do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e 10 (5%) são endemismos ibéricos.


    Destacam-se pela sua importância, em termos de conservação para a área protegida o lobo Canis lupus, o morcego-de-bigodes Myotis mystacinus, o morcego-de-franja Myotis nattereri, morcego-rabudo Tadarida teniotis, a águia-cobreira Circaetus gallicus, o falcão-peregrino Falco peregrinus, a petinha-ribeirinha Anthus spinoletta, melro-das-rochas Monticola saxatilis, o papa-moscas Ficedula hipoleuca, a gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax ou o dom-fafe Pyrrhula pyrrhula.


    De um modo geral as espécies animais são típicas de determinados locais, estando ligadas mais a um ou outro biótopo, onde a sua actividade biológica mais se concentra, ou seja o seu habitat.

    
    O meio aquático (cursos de água e suas margens, charcos, zonas alagadiças, pequenos açudes e lagoas) suporta populações diversas de pequenos macroinvertebrados, como a libélula ou o alfaiate que alimentam toda uma cadeia trófica que aqui se inicia. Entre as diversas espécies de peixes presentes destaca-se a truta-marisca Salmo trutta, característica de troços mais torrenciais e mais montanhosos dos rios e ribeiras.

    
    Os anfíbios procuram nos charcos, zonas alagadiças, linhas de água, tanques, poços e locais mais húmidos e umbrosos, a água para se reproduzirem ou humedecerem a sua pele nua. Merecem destaque pela sua raridade ou abundância salamandra-lusitânica Chioglossa lusitanica, tritão-de-ventre- laranja Triturus boscai, rã-ibérica Rana iberica, rã-de-focinho-pontiagudo Discoglossus galgonoi, lagarto-de-água Lacerta schreiberi, cobras-de-água Natrix maura  e N. natrix.


    Certas aves procuram também as zonas ribeirinhas para seu habitat: galinhola Scolopax rusticola, narceja Gallinago gallinago, alvéolas Motacila flava e M. cinerea, o melro-de-água Cinclus cinclus ou o pica-peixe Alcedo athis. A toupeira-de-água Galemys pyrenaicus e a lontra Lutra lutra são mamíferos que também aqui encontram as frescas e límpidas águas da montanha.

    
    Os carvalhais constituem um biótopo importante para a sobrevivência de muitas espécies, encerrando um potencial em biodiversidade elevado. 

    Também assumem particular importância os povoamentos florestais de resinosas, os bosques mistos e os antigos olivais abandonados.

    
    Nas aves, a rola Streptopelia turtur, a poupa Upupa epops, a trepadeira-azul Sitta europaea  ou o pica-pau-verde Picus viridis, podem ser encontrados a procurar pequenos insectos nos velhos carvalhos. O açor Accipiter gentilis e o gavião Accipiter nisus são rapinas típicas deste meio, instalando o seu ninho e caçando na sua orla, assim como as nocturnas coruja-do-mato Strix aluco e mocho-galego Anthene noctua que escondidas no arvoredo aguardam pacientemente por algum leirão Eliomys quercinus que passe à sua frente. A águia-de-asa-redonda Buteo buteo, o tentilhão-comum Fringila coelebs, a estrelinha-de-cabeça-listada Regulus ignicapillus ou a tordeia Turdus viscivorus, ocupam tanto os bosques mistos (compostos de espécies de folha caduca e de folha persistente), como as matas de coníferas. Já o cruza-bico Loxia curvirostra e o bico-grossudo Coccothrausters coccothrautes preferem as matas puras de coníferas ricas em pinhas.

    Mais conspícuos e de hábitos muito específicos, certos mamíferos refugiam-se ou procuram o seu alimento neste meio. O corço Capreolus capreolus, o gato-bravo Felix silvestris, o esquilo Sciurus vulgaris e certos mustelídeos como o arminho Mustela erminea, a fuinha Martes foina, o toirão Mustela putorius, ou a geneta Genetta genetta, são disso exemplo.


    Os matos e matagais são também importantes biótopos onde uma variada fauna procura o seu habitat. Sendo áreas mais abertas oferecem menos refúgio, sendo mais utilizadas por répteis e aves e alguns mamíferos de menor porte. Sempre que um rasgo de sol penetra na atmosfera é imediatamente procurado pelo sardão Lacerta lepida, pelas lagartixas Podarcis bocagei  e P. hispanica ou ainda pela cobra-bordalesa Coronella girondica e pela cobra-rateira Malpolon monspessulanus. Nidificando no chão ou nos pequenos arbustos deste biótopo encontram-se a águia-caçadeira Circus pygargus, o tartaranhão-azulado Circus cyaneus, a felosa-do-mato Sylvia undata, o cartacho-preto Saxicola torquata, a ferreirinha Prunella modularis, o picanço-real Lanius excubitor e as petinhas Anthus spp.


    As escarpas, falésias ou encostas declivosas de montanha são bastante utilizadas pela andorinha-das-rochas Ptyonoprogne rupestris e pelo andorinhão-preto Apus apus, que em pleno voo captura os insectos de que se alimenta. Também o peneireiro-de-dorso-malhado Falco tinnunculus, o mocho-real Bubo bubo, o melro-azul Monticola solitarius e o corvo Corvus corax, utilizam este biótopo.

A osga-comum Tarentola mauritanica instala-se nas fendas dos muros, paredes e nas velhas habitações de xisto nas zonas de fácies mais seco. Regista-se a presença de espécies da fauna típicas das serranias do norte interior com algumas espécies raras, ameaçadas ou únicas.