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PATRIMÓNIO CULTURAL DO PNDI

A língua mirandesa ou mirandês é a segunda língua oficial de Portugal. Considera-se que deriva do asturo-leonês. Actualmente é falada por cerca de quinze mil pessoas, em diversas freguesias dos concelhos de Miranda do Douro e Vimioso. Tendo a língua mirandesa uma forte tradição oral, passando de pais para filhos ao longo dos tempos, só em 1882 começou a ser escrita e investigada por José Leite de Vasconcelos, ilustre filólogo, arqueólogo e etnógrafo português, e nos tempos de hoje é ensinada nas escolas da Região. Para facilitar a aprendizagem e lutar contra a ameaça de se perder pela influência da televisão, e as pressões do português e do castelhano, foram já publicadas várias obras em mirandês ou sobre esta língua - Convenção Ortográfica, Dicionário, Gramática, Contos, dois volumes da série de banda desenhada Astérix, entre outros.

Ainda no domínio da língua, dois proeminentes escritores portugueses são originários deste território. Guerra Junqueiro nasceu no concelho de Freixo de Espada à Cinta, a 17 de Setembro de 1850 e Trindade Coelho, nascido a 18 de Junho de 1861, é natural de Mogadouro.

Em Miranda do Douro é possível assistir à dança dos Pauliteiros, expoente máximo do folclore Mirandês. Trata-se de uma dança comunitária ao som das gaitas de fole e dos bombos. São oito dançadores, que envergam um trajo para-militar, considerado por alguns especialistas como sucessor do trajo militar greco-romano, substituindo as túnicas pelas saias, o escudo pelo lenço sobre os ombros, os chapéus enfeitados e a utilização da flauta pastoril.

Ainda hoje se cultivam, em toda esta região, manifestações a que se dá o nome de Festas de Inverno. De entre as inúmeras festas e figuras, de origem pagã, referem-se aquelas que poderão ser as mais reconhecidas a nível regional e mesmo nacional: Carocho, Dança do Fogo, Festa dos Rapazes, Chocalheiro, Caretos, Velha, Farandulo, Zangarrón, Festa dos Casados, a Fogueira dos Rapazes, Enterro do Entrudo; Sete Passos; Rebentar do Judas. Quase todas estas manifestações etnográfico-culturais são de origem pagã, de carácter crítico, sarcástico e irónico.

 
As festas e romarias, mais populares durante os meses de verão, abundam um pouco por toda a região e estão, na sua maioria, associadas a acontecimentos religiosos. Estes eventos assumem cada vez maior importância em termos do número de pessoas que mobilizam, representando um forte motivo de atracção.