GEOLOGIA
O Parque Natural do Douro Internacional apresenta um património geológico bastante rico, estando inserido numa das zonas mais emblemáticas da geologia de Portugal Continental.
Aqui ocorrem as rochas mais antigas de Portugal, os gnaisses de Miranda do Douro, assinalados com idade Pré-Câmbrica. O sector de Mogadouro situa-se na orla do maciço de Morais, onde ocorrem rochas ofiolíticas, testemunhos de antigos fundos oceânicos que foram trazidos à superfície e cavalgaram a costa continental, devido aos esforços tectónicos que originaram nesta região, durante o Paleozóico, uma cadeia de montanhas designada Hercínica, similar em muitos aspectos aos actuais Himalaias, e que se estendeu até à costa leste Americana. Várias estruturas geológicas, conhecidas como mantos de carreamento, e que foram as responsáveis pelo transporte para a superfície dos antigos fundos oceânicos, surgem também neste sector do PNDI e na sua envolvente.
Além dos testemunhos dos recuados tempos paleozóicos, a actividade geológica mais recente está também registada na área do PNDI, sendo de destacar a história evolutiva da rede de drenagem do Douro, desde os tempos em que este drenava para o interior de Espanha até à actual drenagem para ocidente. Esta evolução está gravada, quer nos depósitos areno-argilosos de Sendim e outros locais, quer na espectacular cascata de Lamoso, a qual marca a passagem do antigo nível local de erosão fluvial para o actual nível de erosão imposto pelo novo traçado do Douro.
A variedade litológica é notável, estando assinalada a ocorrência de diversos tipos de granitos, gnaisses, migmatitos, serpentinitos, calcários, mármores, travertinos, quartzitos, xistos e grauvaques, assim como diversos depósitos de terraço e cascalheiras. Verifica-se também a existência de testemunhos fósseis de uma antiga fauna marinha de idade Câmbrica.
Há ainda a referir um património ainda inexplorado de nascentes termais e a grande riqueza mineralógica que no passado sustentou uma continuada tradição mineira, que remonta aos tempos romanos e cujos últimos episódios estão marcados pela corrida ao volfrâmio durante a Segunda Guerra Mundial.
CLIMA
O clima da região pode definir-se como mediterrâneo-subcontinental, de acentuadas amplitudes térmicas, com invernos frios mas estios muito quentes e secos. A parte Norte do PNDI corresponde à zona de menor influência atlântica de Trás-os-Montes, inserindo-se já na Terra Fria Transmontana. A parte sul, onde o vale já se assemelha ao “Douro vinhateiro”, caracteriza-se pelo seu microclima, com escassa precipitação e amenas temperaturas invernais, fazendo parte da designada Terra Quente Transmontana.
A relação entre precipitação e temperatura é muito clara e inversa, já que são ambas determinadas pela fisiografia e pelo mais ou menos acentuado efeito da continentalidade. A distribuição das precipitações ao longo do ano segue, em toda esta região, o regime mediterrânico. No semestre húmido (Outubro - Março) ocorre, em média, 70% do total anual de precipitação (em contraste com menos de 10% no trimestre seco, entre Junho e Agosto), tendo os restantes meses carácter de transição. Nos meses de Julho e Agosto, as precipitações apenas excedem os 20mm nas áreas serranas, situando-se, em quase todo o território entre os 20 e os 10mm, raramente descendo para valores menores que 10mm.