Foi publicado em Diário da República, no dia 10 de fevereiro (n.º 15/2012. D.R. n.º 30, Série I de 2012-02-10), a Resolução da Assembleia da República que consagra o sobreiro Quercus suber como símbolo nacional, a par da bandeira e do hino “A Portuguesa”. Já anteriormente a importância do sobreiro para Portugal havia justificado a sua escolha para cunhagem da moeda comemorativa da presidência portuguesa do conselho da União Europeia, em 2007.
O Quercus suber L., sobreiro, sobro, sobreira, sovereiro, sôvero ou chaparro, é uma árvore de presença opulenta, com porte médio entre 10 a 15 m de altura, de copa ampla e pouco densa. Tronco encorpado e ramificado em grossas pernadas, sólidas e retorcidas, protegido pelo súber espesso e gretado, de tom acinzentado, mas liso e amarelado ou avermelhado nos troncos e ramos descortiçados.
Conhecida como “árvore de plena luz”, aprecia a humidade do ar e dos solos que não sejam calcários, relativamente profundos e férteis. Suporta mal as geadas, mas tolera bem os climas com períodos estivais secos e pluviosidade baixa, típicos do sul de Portugal. Não se encontra acima dos 500 m de altitude. Vive cerca de 300 anos.
Espécie comum na região mediterrânea, o sobreiro é espontâneo em Portugal, nas planícies e encostas pouco elevadas. Joaquim Vieira Natividade localiza-o “no Norte, no solar do castanheiro, do roble e do carvalho-negral; junto ao litoral, do Tejo ao Minho, luta sem proveito nem glória com o pinheiro-bravo; associa-se ao carvalho-português na Estremadura, à azinheira e ao pinheiro-manso no Alentejo e vegeta a par da alfarrobeira nas quentes serras algarvias.” (in Subericultura, 1950, p. 37). O sobreiro predomina a sul do rio Tejo, não somente pelo facto de aí os solos se apresentarem arenosos e descalcificados, mas sobretudo devido à intervenção humana (política agrícola).
“Que sse nom faça danos nos soueraes...”, declarou El-Rei D. Dinis, na Carta de 13 de Julho de 1310. Ainda hoje, o sobreiro goza de protecção legal em Portugal, reconhecendo-se nos “montados de sobro” alguns dos biótopos importantes em termos de conservação da natureza. Ecologicamente, os sobreiros desempenham uma importante função na conservação do solo, na regularização do ciclo hidrológico e na qualidade da água.
A técnica suberícola, esboçada nos meados do século XVIII, generaliza-se em Portugal até ao final do séc. XIX. Baseada nos desbastes selectivos e baixa densidade do arvoredo, permite o aproveitamento máximo da capacidade produtiva da árvore e do solo. Os "montados de sobro" encontram-se, deste modo, associados a usos múltiplos que incluem a exploração suberícola, cerealífera e criação de gado.
Do sobreiro retira-se, para além da cortiça, da qual Portugal é o maior produtor mundial, também a bolota que alimenta o gado suíno, a lenha que aquece os lares no inverno, e o carvão para exploração comercial. Do entrecasco dos ramos com cortiça virgem do arvoredo que se abate nos desbastes, extraem-se os taninos.