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DESENVOLVIMENTO LOCAL

As Áreas Protegidas desempenham um papel vital para o desenvolvimento sustentável através da protecção e conservação da diversidade biológica e dos recursos naturais e culturais associados, não devendo assim ser consideradas ilhas de conservação à parte do contexto social e económico.

Embora a principal meta da maioria das Áreas Protegidas não seja a de reduzir a pobreza, mas sim conservar a diversidade biológica e fornecer serviços de ecossistemas, o exame das relações entre a criação e gestão de áreas protegidas e a população tornou-se uma necessidade prática e ética.
Necessidade prática porque as Áreas Protegidas devem ser vistas como uma opção que contribua tão positivamente para o desenvolvimento sustentável como outras formas de uso da terra.
E ética, porque se devem incorporar os direitos e aspirações humanas às estratégias de conservação nacionais e globais.

Num sentido mais amplo, a interdependência entre o bem-estar humano e a conservação de recursos naturais é actualmente reconhecida e resguardada a nível internacional em instrumentos legislativos.

Tentando responder às preocupações de natureza social e ambiental por parte dos consumidores, e para revitalizar o espaço rural, as novas orientações estratégicas da agricultura, apontam cada vez mais para a multifuncionalidade dos espaços rurais, centrada na trilogia: Ambiente, Gastronomia e Turismo.

A valorização das potencialidades e recursos endógenos de um determinado espaço físico e cultural, nomeadamente a valorização das produções agrícolas de qualidade e dos “saberes-fazer” tradicionais, surgem no âmbito da procura de soluções inovadoras e economicamente viáveis para a manutenção e diversificação da actividade agrícola familiar.

De igual modo a grande relevância das práticas alimentares tradicionais é inequívoca através do reconhecimento da gastronomia nacional como património cultural, o qual legitima não só as suas dimensões culturais, enquanto símbolo de identidade nacional, regional ou local, como também apela ao seu conhecimento, divulgação e valorização.

O património gastronómico nacional, enquanto fonte inesgotável de saberes culinários, traduz igualmente a singularidade dos sabores dos produtos alimentares específicos de cada região. Por sua vez, estes produtos são eles próprios tributários dos recursos agrícolas e dos “saberes-fazer” locais que lhes estão associados. O agricultor, produtor e garante da sobrevivência alimentar da família, foi adoptando, adaptando e melhorando a agricultura, ao longo dos milénios de história, quer as variedades dos produtos quer as técnicas de produção e conservação. Lutando contra a adversidade da natureza, da qual se tornou seu guardião, foi evoluindo no modo de se alimentar. Tudo isto, obviamente consubstanciado no prazer dos sabores. Ora estes sabores, são conseguidos não só através da alquimia dos processos de preparação culinária, mas também de procedimentos próprios a cada grupo social, cuja complexidade, tem constituído objecto de estudo de notáveis investigadores, dos quais o pioneiro, foi sem dúvida o famoso antropólogo Lévi-Strauss.

De acordo com a RCM nº96/2000 de 26/7 que visa a consagração da gastronomia como património cultural nacional, entende-se por “gastronomia nacional o receituário tradicional português, assente, designadamente, em matérias-primas de fauna e flora utilizadas ao nível nacional, regional ou local, bem como em produtos agro-alimentares produzidos em Portugal, e que, pelas suas características próprias, revele interesse do ponto de vista histórico, etnográfico, social ou técnico, evidenciando valores de memória, antiguidade, autenticidade, singularidade ou exemplaridade”.

Por outro lado e enquanto pólo de atracção turística e expressão da nossa memória colectiva, a diversidade de sabores de uma gastronomia tradicional pode contribuir para a divulgação dos modos de vida locais/rurais e para novas formas de sustentação das actividades económicas tradicionais. Ou seja, ao conhecermos e valorizarmos os aspectos culturais das práticas alimentares tradicionais, estamos, sem dúvida, a contribuir para o desenvolvimento do mundo rural, numa lógica integrada e multifuncional daqueles espaços. A natureza e a cultura estabelecem assim uma relação de reciprocidade.

Ora, em Portugal, é nas Áreas Protegidas que encontramos alguns dos produtos alimentares mais representativos e que melhor se inserem nestes parâmetros.

É com este espírito que o ICNB/RNES organiza na Herdade da Mourisca – Faralhão, desde Novembro de 2008, as Feiras de Outono onde são apresentados diversos produtos regionais com destaque para: as batatas doces da Carrasqueira, as ostras do Sado, o sal, o arroz e os pinhões de Alcácer, os vinhos da península de Setúbal, as laranjas de Setúbal, o queijo de Azeitão, os cogumelos, a maçã riscadinha, a manteiga de ovelha.

Para mais informações contactar a Reserva Natural do Estuário do Sado pelo telefone 265541158.