Os estuários, devido à amenidade do seu clima e abundância de recursos alimentares por um lado e, por outro, pelo facto de constituírem zonas charneira entre o interior e o mar, por eles circulando parte importante das trocas comerciais são, desde sempre, local privilegiado para a fixação das populações.
A presença humana no estuário do Tejo está atestada desde o Paleolítico. Recentemente, junto ao acesso sul da ponte Vasco da Gama, foi encontrada uma importante jazida datada do Paleolítico Médio. Os conhecidos "concheiros de Muge" remontam ao Mesolítico. Os romanos, primeiro, os árabes, depois, frequentaram as margens do Tejo. Depois da reconquista, a cidade de Lisboa assumiu-se como factor de consolidação da recém obtida independência e, mais tarde, foi do Tejo que partiram as naus que haveriam de dar outros mundos ao mundo. Actualmente, o estuário constitui o principal elemento aglutinador da Área Metropolitana de Lisboa, o mesmo é dizer estar associado aos interesses directos de aproximadamente um quarto da população portuguesa.
Agricultura e Pecuária
Os campos agrícolas na Leziria Sul, irrigados por uma rede de valas de água doce que drenam para o Tejo e Sorraia, suportam culturas de regadio, sequeiro e arrozais. Na Reserva, extensas áreas de pastagem acolhem efectivos pecuários com destaque para o gado de lide - o touro bravo - que, juntamente com o cavalo lusitano, são a imagem de marca da lezíria ribatejana.

Actividade salineira
Durante milénios, a actividade salineira foi uma das principais fontes de rendimento da região e do país. Progressivamente foi se verificando a desactivação das salinas, devido à importação de sal proveniente do exterior e aos progressos registados nos meios de conservação de alimentos, sendo sobretudo as aves aquáticas quem mais se ressente da perda de parte do seu valor.

Pesca
O sável Alosa alosa, atraiu inúmeros pescadores da zona de Vieira de Leiria e da região de Aveiro para o estuário, que também era abundante em numerosas outras espécies, proliferando, inclusivé, os bancos de ostras. No entanto, os seus quantitativos foram dizimados, ou seriamente postos em causa, por poluições de origem urbana, industrial e agrícola. A actividade piscatória reduziu-se de forma drástica e, hoje, apenas algumas barcas se dedicam à captura sobretudo de linguado, robalo e enguia. O retorno de espécies quase desaparecidas, caso do charroco Halobatrachus didactylus, parece apontar para uma certa recuperação da riqueza piscatória.
