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PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO


Não existindo construções de relevo no interior da Reserva, o património construído é sobretudo importante devido à sua ligação com o património cultural.

A Ermida de Nossa Senhora de Alcamé construída no século XVIII, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, era o espaço apropriado para os trabalhadores das Lezírias ali cumprirem as suas obrigações religiosas. Localiza-se na ZPE junto ao limite Norte da Reserva Natural. No final do século XIX, realizavam-se aqui episodicamente festas, organizadas por uma comissão de festeiros de que faziam parte lavradores de Vila Franca de Xira, Alhandra e Alverca. Nos anos 40, um grupo de proprietários retomou a organização das festas associando-as às do “Colete Encarnado” de Vila Franca de Xira. Nos últimos anos, a Associação de Varinos de Vila Franca de Xira tem dinamizado a realização da romaria pelo 17 de Junho, com a participação de outras associações locais. Os campinos, acompanhados pela banda e o cortejo, transportam o andor com a imagem da Nossa Senhora da Conceição desde a Igreja Matriz até ao cais, onde se realiza a cerimónia de embarque. A procissão prossegue pelo rio, em embarcações tradicionais todas engalanadas, até ao cais do Marquês. Aí o andor é transferido para uma charrete, seguindo o cortejo até à ermida. Aí, realizam-se as cerimónias religiosas, que incluem a benção dos gados, e o arraial com apresentação de ranchos folclóricos e actividades associadas aos cabrestos e campinos.

O intenso tráfego fluvial de outros tempos, relacionado com a actividade pesqueira e com o transporte de pessoas e bens, era animado por um conjunto diversificado de embarcações como fragatas, varinos, faluas, botes, barcos dos moinhos, barcos dos moios, catraios, botes de pinho, batéis, botes de meia quilha, botes cacilheiros, barcos, canoas, bateiras, barcos de água acima, etc. A notável variedade de forma das embarcações, resultante da criatividade dos nossos estaleiros navais e do estilo próprio de cada um representa um elemento cultural de grande interesse. Nos anos 80, visando contrariar o desaparecimento da fragata, do varino e da falua, as autarquias ribeirinhas de Seixal, Moita, Alcochete e Vila Franca de Xira recuperaram algumas embarcações tradicionais, reconvertendo-as para actividades de turismo, recreio ou lazer e de educação ambiental.



 
Ermida de Nossa Senhora de Alcamé


Alcatejo