O património cultural aqui existente encontra-se sobretudo associado às actividades tradicionais.
Na lezíria destaca-se o maioral ou campino, que controla o gado (touros e cavalos) e o transfere de umas pastagens para outras, existindo toda uma tradição associada ao seu traje. Em Vila Franca de Xira, Porto Alto/Samora Correia e Alcochete a “festa brava” com as suas touradas e “largadas” está intimamente ligada àquela actividade. Também as “tentas”, “ferras” e “derribas” realizadas nos assentos de lavoura, sempre num ambiente de azáfama festiva, fazem parte deste património.
As salinas constituem as estruturas físicas de uma actividade que moldou a paisagem e era detentora de uma cultura própria de saberes e viveres transmitidos de geração em geração. É com o sal fino - a flor de sal- obtido no início da safra que se preparam os pães de sal, prensados em pequenas formas paralelepipédicas onde se encontram gravados elementos alusivos aos diversos valores da região, a maioria das vezes o ferro dos senhores da terra. Ao “ouro-branco”, outrora recolhido no Tejo está ligado um papel importante nas transacções comerciais entre Portugal e o Norte da Europa, na época.
As diferentes artes de pesca (redes, armadilhas e aparelhos) revelam o engenho das gentes que no estuário labutam, capturando o seu sustento. Entre os núcleos de pescadores, destacam-se as comunidades de avieiros e varinos, sediados em Alhandra, Póvoa de Stª Iria e Vila Franca de Xira. Eram típicos os seus portos de pesca palafitas, constituídos por um conjunto de cais paralelos entre si e perpendiculares ao rio. A evolução dos barcos de pesca e transporte no rio também constitui parte do património cultural a explorar.