As comunidades humanas do PNPG assemelham-se pelas características próprias de regiões de montanha que partilham e distinguem-se pelas especificidades culturais que a história, o isolamento e os diferentes recursos locais lhes conferiram.
A agro-pecuária é a actividade dominante em quase todo o território do PNPG. Uma agricultura de minifúndio assente em culturas cerealíferas (milho e centeio) e na produção da batata, do feijão e de diversos produtos hortícolas, complementa-se com a pastorícia, actividade que constituiu, durante muito tempo, o principal alicerce destas economias de montanha.
Embora o seu peso tenha vindo a diminuir, as raças autóctones como a barrosã e a cachena nos bovinos, a cabra-bravia nos caprinos e a ovelha-bordaleira nos ovinos, são ainda uma importante fonte de rendimento.
Destaca-se também o garrano, cavalo luso-galiziano que se movimenta em liberdade pelas serras do Parque, pois apesar de ter perdido a sua função de meio de transporte e de auxiliar nas actividades agrícolas, é, até hoje uma espécie pecuária a privilegiar, não apenas pela sua robustez e adaptabilidade à serra, mas também porque se encontrava em perigo de extinção.
A actividade silvícola aparece em estreita ligação com a pastorícia e com a agricultura.
É aos baldios – terras incultas, mantidas em comum e geridas pelas comunidades locais – que a população vai buscar um conjunto de bens essenciais ao processo produtivo e à vida quotidiana: a lenha, a madeira e o mato para a cama dos animais, depois utilizado como fertilizante. É também da exploração florestal dos baldios, na sua maioria sob gestão conjunta do PNPG e das populações, que resulta uma receita importante para as Juntas de Freguesia ou Assembleias de Compartes, depois reinvestida na comunidade.
A apicultura e o artesanato alimentar (o fumeiro, em particular) constituem uma outra componente da actividade agrícola com grande tradição e importância no PNPG.
Por sua vez, actividades tradicionais como a tecelagem (linho e lã) e a cestaria (fabrico de cestos e cestas e de vestuário, de que são exemplos as croças e coruchos) têm tido maiores dificuldades em resistir à generalização do uso de produtos industriais e começam a ser poucos os artesãos que preservam o conhecimento das técnicas tradicionais de transformação de produtos naturais em utensílios de uso doméstico e, mais recentemente, também decorativo.
Embora a agro-pecuária marque ainda de forma determinante a paisagem e o ritmo destas comunidades, o sector secundário, com a construção civil e as obras públicas, e o sector terciário, com o comércio, a restauração e a hotelaria, têm vindo a ganhar peso, surgindo como uma alternativa possível para aqueles que não encontram nos animais e na terra o rendimento necessário ao conforto da família.
Mas para muitos outros, é ainda a emigração, para os principais centros urbanos, mas também para o estrangeiro, a opção possível.
E se o ritmo do êxodo rural já não é hoje tão acentuado, são, no entanto, bem visíveis as marcas que décadas de emigração deixaram nestas comunidades: uma população maioritariamente feminina e envelhecida, que procura preservar a sua identidade mantendo a ligação centenária à terra e aos animais, contribuindo, assim, para a continuidade de uma paisagem em que o Homem e a Natureza se integram e que é, sem dúvida, uma dos aspectos que melhor caracterizam o PNPG.