Geologia
História Geológica da Lagoa de Santo André
A Lagoa de Santo André nem sempre foi lagoa. Resulta de um processo evolutivo originado a partir de um sistema fluvial ancestral. Há 18.000 anos atrás, o nível do mar encontrava-se mais baixo devido à retenção de grande volume de água nos gelos das calotes polares e dos glaciares de montanha. A praia localizava-se então alguns quilómetros mais para ocidente e existia uma vasta planície costeira salpicada por campos de dunas e atravessada por ribeiras encaixadas em vales profundos.
Com o degelo, há cerca de 16.000 anos, o nível do mar começou a subir fazendo recuar a linha de costa para nascente. Há cerca de 10.000 anos, formou-se uma ampla baía pouco profunda e recortada, que se prolongava para o interior por braços de mar (rias) instaladas nos vales dos antigos rios. Há 6.000 anos houve uma desaceleração do ritmo de inundação permitindo a formação de um cordão arenoso que transformou esta baía numa lagoa, isolando-a do oceano. No início, a Lagoa era um corpo de água doce, profundo e de grandes dimensões, favorável ao desenvolvimento de vegetação aquática abundante e que se estendia para o interior pelos estuários dos rios que aqui desaguavam.
Durante os 2.000 anos seguintes, a Lagoa manteve-se quase sempre sem comunicação com o oceano. O encontro das águas fluviais carregadas de sedimentos com as águas paradas tornou a Lagoa cada vez mais pequena e menos profunda.
Há 4.000 anos a Lagoa começou a contactar mais frequentemente com o oceano, devido ao rompimento do primeiro cordão arenoso. Seguiu-se a formação e ruptura de novos cordões o que levou o corpo lagunar a perder profundidade e a conter água salobra, resultante da mistura frequente das águas pluviais e marinhas. Ditou-se assim o nascimento da Lagoa como hoje a conhecemos: um corpo central de água recebendo, a Oriente, águas de várias ribeiras e separada do Oceano Atlântico, a Ocidente, por um extenso cordão dunar. Os principais tributários são as ribeiras da Cascalheira, da Ponte, do Forneco, do Azinhal e da Badoca. Estas ribeiras apresentam um regime torrencial, com caudais abundantes no Inverno e muito reduzidos no Verão, fundamentais na dinâmica da Lagoa. Provocam o aumento do nível das águas e a redução da salinidade durante os períodos de chuva.
Se as condições ambientais se mantiverem semelhantes às actuais, a Lagoa de Santo André reduzirá progressivamente a sua profundidade e a superfície molhada, transformando-se num pântano que mais tarde acabará por secar.
[Texto extraido da Brochura Informativa da RNLSAS]
Hidrologia
Bacias hidrográficas
A alimentação continental da Lagoa de Santo André é feita por uma bacia hidrográfica de forma triangular com cerca de 141,5Km² de área, 64,2Km de perímetro, com 16Km de largura máxima e 14Km de comprimento e uma altitude média relativamente reduzida (da ordem dos 100m). Esta bacia está confinada a Norte pela Lagoa de Melides, a Este pela bacia hidrográfica do Sado, e a Sul pela Lagoa da Sancha.
A Lagoa da Sancha apresenta uma bacia hidrográfica substancialmente mais pequena, com cerca de 31,3Km² , sendo o curso de água mais importante designado localmente por Barranco dos Bêbedos.
Apesar de ambas as Lagoas serem o resultado da evolução de ecossistemas semelhantes, hoje em dia apresentam diferenças significativas nos seus parâmetros físicos.
Clima
O clima desta área é influenciado pelo regime de circulação atmosférica que afecta a globalidade da faixa costeira do sul de Portugal, ao qual se associam factores regionais como a proximidade ao Atlântico, assim como factores topográficos de índole local.
A incidência da precipitação no Inverno, com um Verão seco, uma insolação elevada, Verões quentes e Invernos suaves, conferem a este quadro climático características mediterrânicas (Cancela da Fonseca et al.1993b).
Do ponto de vista bioclimático, a Reserva situa-se numa área predominantemente termomediterrânica sub-húmida a seca.