A Flora da Malcata:
É importante referir que a influência humana, desde sempre, foi a principal responsável pelo quadro evolutivo da vegetação nesta área, por via dos aspectos culturais directamente relacionados com actividades do sector primário, como a pastorícia e a agricultura, que, devido ao emprego do fogo, usado para a abertura de pastagens para os rebanhos; e às extensas zonas destinadas ao cultivo do cereal, beneficiaram a vegetação do tipo arbustivo e herbáceo, prejudicando a floresta autóctone. Desta última, podem ainda observar-se alguns exemplares em locais menos acessíveis e junto às principais linhas de água, tradicionalmente poupadas pela mão humana. Esta floresta climácica é dominada, a Norte pelo carvalho-negral (Quercus pyrenaica), a Sul pela azinheira (Quercus rotundifolia) associada ao medronheiro (Arbutus unedo), nas margens dos principais cursos de água pelo freixo (Fraxinus spp.), pelo amieiro (Alnus glutinosa) e salgueiro (Salix spp.). Das diversas formações que ocorrem nesta Reserva destacam-se as seguintes:
• Os matos: são as formações que melhor representam a Reserva da Malcata, pela importante área que ocupam. Dentro destes matos distinguem-se, os matos altos, com uma altura acima de 1,2 mts, resultando da primeira etapa de degradação das zonas de carvalho – negral (Quercus pyrenaica), sendo mais comum a Norte onde as exposições são mais sombrias e as altitudes médias mais elevadas, sendo as principais espécies a giesta – branca (Cytisus multiflorus) e a giesta – amarela (Cytisus striatus); e os matos baixos, inferiores a 1,2 mts, que constituem a formação de maior expressão, sobretudo no Centro e Sul da Serra, onde o solo é mais pobre e com maior nível de erosão. Neste tipo de mato surgem a esteva (Cistus ladanifer), o sargaço (Halimium ocymoides) e a carqueja (Chamaespartium tridentatum).
• O carvalhal: foi em tempos a espécie mais comum, existindo a Norte e Centro, está actualmente limitado às zonas húmidas, sombrias e pedregosas, resultado do uso do fogo. São as espécies mais representativas, o carvalho–negral (Quercus pyrenaica), o medronheiro (Arbutus unedo), a azinheira (Quercus rotundifolia) e o pinheiro – bravo (Pinus pinaster).
• O medronhal: é a formação mais característica desta área, apresentando matas profusas. Encontram-se também pequenos núcleos de medronheiro (Arbutus unedo) atingindo 6 a 8 mts de altura.
• O azinhal: este está limitado a pequenos grupos de azinheiras dispersas pelas áreas de matos do Sul da Reserva. As espécies que melhor representam esta formação são: a azinheira (Quercus rotundifolia), o medronheiro (Arbutus unedo), a esteva (Cistus ladanifer) e a urze – vermelha (Erica australis).
• As matas ripícolas: estão bastante desenvolvidas, sobretudo ao longo do rio Côa, ribeira da Bazágueda e da ribeira da Meimoa. Nas outras linhas de água dominam as espécies arbustivas. São espécies dominantes destas matas: o freixo (Fraxinus angustifolia), o amieiro (Alnus glutinosa) e o salgueiro (Salix spp.).
• O pinhal: ocupa uma área bastante importante na Reserva da Malcata, ocorre principalmente nas zonas de altitude média e alta, nomeadamente ao Norte e Centro. É sobretudo composto por povoamentos industriais de pinheiro – bravo (Pinus pinaster), e outras espécies de coníferas exóticas, como a pseudotsuga (Pseudotsuga menziessi) e o pinheiro – larício (Pinus nigra)