Projecto "Cão de Gado Transmontano"
Durante os anos 90 o Parque Natural de Montesinho realizou vários estudos e trabalhos relacionados com o lobo e com o tema dos prejuízos que este predador causa nos rebanhos de ovinos e caprinos, chegando à conclusão que um dos principais factores da diminuição de prejuízos era a presença de cães do tipo mastim usados tradicionalmente nos rebanhos. Assim, a partir de 1994 inicia um Programa de Distribuição destes cães nos rebanhos na zona Nordeste de Trás-os-Montes.
A consolidação da presença de cães de gado nos rebanhos passava, não só pela distribuição destes, mas também pelo seu reconhecimento como uma raça – o Cão de Gado Transmontano – e do eventual proveito económico que poderia resultar da venda destes cães por parte dos pastores, que ajudaria a suportar a despesa que representa manter estes cães de grande porte. Desta forma, nasce o Projecto Cão de Gado, que reuniu esforços e sinergias de várias entidades e particulares, tais como o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, a Associação de Criadores do Cão de Gado Transmontano, o Clube Português de Canicultura, as Câmaras Municipais de Vinhais, Bragança e Miranda do Douro, veterinários da região e muitos particulares, como pastores e criadores desta raça ou apenas apaixonados da raça e da região.
Os esforços conjuntos de todos permitiram que hoje exista uma nova raça canina, reconhecida pelo Clube Português de Canicultura e pela Direcção Geral de Veterinária - O Cão de Gado Transmontano, que contribui para a existência de um rendimento complementar para muitos criadores de ovinos e caprinos do Nordeste de Trás-os-Montes e, por último, mas não menos importante, uma acentuada diminuição dos prejuízos causados por lobo.
O forte aumento do número de cães de gado nos rebanhos parece ter dado uma contribuição significativa para a diminuição de prejuízos causados por lobo. Todavia, existem vários factores que podem contribuir para a diminuição registada, como a existência de mais áreas naturais devido ao abandono da agricultura, e a consequente presença mais presas naturais (corço e javali) para o lobo, ou como uma ligeira diminuição do número dos rebanhos de ovinos e caprinos, deixando disponíveis melhores pastos, neste caso, não havendo tanta necessidade de recorrer a zonas de matagais e bosques onde há mais ataques.
De facto, no gráfico seguinte é bem visível que a curva que representa o número acumulado de cachorros entregues pelo programa (curva verde) é inversa (a partir de 2003) daquelas que representam os valores indemnizados (curva vermelha) e o número de ataques (curva azul), apresentando com estas uma correlação positiva próxima da unidade (o que aponta para uma forte relação entre os diferentes parâmetros).

A protecção do gado doméstico contra os ataques de lobo aumenta o grau de tolerância dos produtores pecuários a esta espécie e contribui de forma decisiva convivência pacífica entre a pecuária extensiva e a presença de lobo no nordeste de Trás-os-Montes, resultando numa grande diminuição da perseguição directa do lobo pelo homem.
Reportagens vídeo sobre o Cão de Gado Transmontano:
Terra Alerta - SIC
LocalVisão
4.ª Monográfica - LocalVisão