A principal actividade dos habitantes desta área é a agricultura, sendo que na maioria dos casos assume mais o carácter de agricultura de complemento de outras actividades profissionais ou da reforma, do que o de actividade profissional exclusiva. As explorações agrícolas do PNM são, na sua quase totalidade, do tipo familiar, trabalhadas quase exclusivamente por conta própria, sendo a superfície agrícola utilizada propriedade dos agricultores ou explorada através de acordos informais, intra ou extra familiares, que possibilitam aos agricultores o acesso ao uso da terra sem que disponham da propriedade plena ou que recorram ao arrendamento formal.
As culturas e os tipos de utilização do solo dispõem-se numa estrutura aureolar em função de um gradiente de fertilidade, que determina a configuração da paisagem agrária e vegetal. Podem identificar-se três grandes auréolas que se interpenetram: as hortas, os terrenos de cereal de sequeiro e os matos. Ressalta a elevada percentagem ocupada pelas culturas de sequeiro, essencialmente culturas arvenses, bem como pelas áreas de incultos, sendo reduzida a referente a culturas de regadio.
Próximas dos povoados situam-se as hortas, terrenos muito férteis mercê de abundantes estrumações e disponibilidade de água para rega, onde é cultivada uma enorme variedade de produtos para consumo diário dos proprietários.
Igualmente instalados em terrenos férteis, normalmente solos de acumulação, profundos, onde a fertilidade elevada é garantida pelo arrastamento de nutrientes de zonas mais altas e onde a disponibilidade de água para rega é significativa, os lameiros assumem um papel central nos sistemas de produção agrícola e por isso são considerados um dos tipos de terreno mais valorizados na economia rural tradicional.
Intimamente associada aos lameiros encontra-se a actividade pecuária, praticada em regime extensivo, centrada em três tipos de produção: bovinicultura, pequenos ruminantes, sobretudo ovinos, e pequenas produções de carácter complementar, onde se incluem a criação de suínos, coelhos e aves de capoeira. Têm solar nesta zona, a raça bovina Mirandesa e a raça ovina Churra Galega Bragançana, cuja produção é factor de sustento da população e diminuição do êxodo rural.
De entre as produções de carácter complementar, os suínos da raça Bísara têm vindo a conhecer um desenvolvimento crescente e, consequentemente, a assumir um papel importante no rendimento de algumas famílias. A protecção de alguns produtos regionais que têm por base a carne destes suínos e a implementação das cozinhas regionais de fumeiro tornam expectável o crescimento desta produção.
Desde há muito tempo associado à alimentação dos animais domésticos, principalmente do porco da raça Bísara, o castanheiro, marca indelevelmente a paisagem e a economia destas gentes. Através da comercialização do seu fruto, a castanha, tem vindo a assumir-se como um complemento significativamente interessante, sendo uma das principais fontes de receitas no actual quadro de utilização da terra. Estas receitas são reforçadas pela venda da sua madeira que é aqui explorada em alto fuste, para madeira de grandes dimensões, e num sistema de talhadia, para madeira de pequenas dimensões.
Assentes na promoção e valorização dos produtos da terra, e direccionados para a dinamização socioeconómica desta região, realizam-se anualmente algumas feiras que procurando novas dinâmicas, incluindo a dimensão turística, integram novas perspectivas para o desenvolvimento local. De entre elas destacam-se as feiras do fumeiro e da castanha.
Baseado num conjunto de potencialidades associadas aos valores naturais e culturais desta AP, o Turismo, em particular o segmento do Turismo de Natureza, está em moderado desenvolvimento e com necessidade de ser impulsionado de modo a adquirir capacidade de afirmação e de competitividade. A oferta de alojamento turístico dentro da área do Parque começou pela mão da própria administração do PNM, pouco tempo após a sua criação, e tem vindo a ser seguida pela iniciativa privada, contando hoje com cerca de 200 camas em Casas de Natureza, Turismo em Espaço Rural e Moradias Turísticas, e 790 lugares na modalidade de campismo nos três parques de campismo, sendo dois localizados dentro da área do PNM e outro em zona limítrofe.
As restantes actividades económicas com alguma expressão na área do PNM, são aquelas que se relacionam com o pequeno comércio (cafés, snack-bares, mercearias) e com a construção civil. Excepcionalmente aparecem alguns negócios um nível de complexidade mais elevado como uma funerária, a venda de electrodomésticos e ourivesaria, oficinas de carpintaria e serralharia, e padarias, mas são sobretudo as actividades relacionadas com a construção civil que mais emprego geram. Várias aldeias contam com um ou mais pequenos empreiteiros/prestadores de serviços nas áreas da construção.
No seu conjunto estas actividades ocupam algumas centenas de pessoas no território do PNM e são responsáveis pela manutenção de algum dinamismo económico.
Fonte: Estudos de Caracterização do POPNM
[PNM (2007). Estudos de Caracterização. Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho. Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional. Instituto da Conservação da Natureza. Parque Natural de Montesinho. Bragança.]