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PAISAGEM

O território do PNM oferece uma paisagem de altitude, com grandes horizontes e usos condicionados pelo clima, num mosaico diversificado predominantemente agrícola nas zonas mais planas, e alternando lameiros e matas de carvalho negral na sucessão de relevos côncavos e convexos das áreas mais declivosas.

    
A paisagem do PNM reparte-se por cinco unidades paisagísticas principais: Matas e matos, Matos e pinhais, Vinhais, Aberta e Montanha granítica.
As três primeiras unidades – Matas e matos, Matos e pinhais, e Vinhais – representam a quase totalidade do território da Área Protegida. Desta, a unidade Vinhais representa a paisagem mais humanizada característica do PNM, com grande densidade de localidades rurais, e uma ocupação agrícola fortemente marcada por elementos arbóreos e lenhosos que lhe conferem grandes contrates e valor natural. As outras duas representam áreas onde a matriz florestal predomina sobre a agrícola: na primeira – Matas e matos – localizada nos dois terços mais ocidentais do PNM, predominam os carvalhais e matos mais ou menos degradados que lhe estão associados (urzais e giestais); no segundo – Matos e pinhais – predominam os matos de carácter mediterrâneo intercalados por antigas e recentes e extensas reflorestações com pinhal.
As duas restantes unidades de paisagem, embora de extensão diminuta, dizem respeito a singularidades importantes no contexto do PNM. O primeiro caso – Aberta – representa o extremo noroeste do planalto cerealífero caraterístico das Terras de Miranda, este por sua vez na continuação da paisagem do interior da meseta ibérica. No segundo caso – Montanha granítica – trata-se das peculiares cumeadas originadas pelas orogenias hercínicas, identificadas também noutras elevações da região.

1. Matas e matos (Mosaico de carvalhais, soutos e vegetação arbustiva, resultante da sua degradação)
Matas e matos é uma extensa matriz florestal de matas de carvalho e matos associados em vários estádios de degradação desses carvalhais. Matos altos (20%), Carvalhiça (17%), Matos rasteiros (16%) e Pinhais (12%) são as ocupações predominantes. As ocupações agrícolas não representam mais de 13%. Trata-se da mais extensa Unidade de Paisagem do PNM que contacta e une todas as demais unidades consideradas. Esta faixa de território intercala-se entre as áreas graníticas de altitude do Norte do PNM – Montanha granítica – e o mosaico agrícola que domina o Sul desta AP – Vinhais. Por tal, e embora sem o carácter pronunciado das outras subunidades, a sua localização, extensão e adjacência confere-lhe alto valor para a conservação da natureza. A paisagem é dominada pelo coberto arbóreo, com matos diversificados que estão na base da pastorícia extensiva de pequenos ruminantes, ovelhas e cabras. As matas são essencialmente carvalhais, as “touças” de carvalho negral.
Tal como nas restantes unidades, e com excepção apenas da unidade Aberta, a sua extensão coincide em traços largos com determinada geologia; neste caso concreto, bem como na uidade seguinte – Matos e pinhais – trata-se da geologia associada aos Complexos Paraautóctones Superior e Inferior. É portanto uma área xistosa, com declives acentuados e vales encaixados.

2. Matos e Pinhais (Mosaico de repovoamentos florestais e vegetação arbustiva acompanhante)
Esta paisagem ocupa o último quarto oriental do PNM, na área de influência do vale do rio Maçãs. Trata-se de uma sucessão de vales escarpados ocupados por matos espontâneos com carácter mediterrâneo, pinhal e algumas oliveiras em situações favoráveis, com interflúvios planos de utilização cerealífera, olival e vinha. Matos altos (38%), Pinhais (20%), Matos rasteiros (15%) e Herbáceas espontâneas (11%) são as ocupações predominantes. As escassas parcelas agrícolas são pontuadas por elementos arbóreas isolados ou lineares, sendo em casos pontuais, separadas por muros de pedra solta. Os vales encaixados configuram extensões significativas e conectadas de vida silvestre.
Os traços distintivos desta unidade de paisagem são a elevada densidade de manchas e fronteiras das ocupações matos altos e pinhais. De entre estas sobressai a complexidade das formas das manchas de matos altos e pinhais, e a simplicidade de formas das manchas agrícolas e dos carvalhais adultos e outras folhosas. Relativamente ao conjunto do PNM, a configuração dos elementos desta unidade revela uma densidade de manchas relativamente baixa à qual corersponde o valor mais baixo de fronteiras, embora de formas relativamente complexas  e a conectividade relativamente aleatórea.

3. Vinhais (Policultura subatlântica)

A recorrência da sua dimensão e desenho está na base do carácter desta paisagem, mais povoada que qualquer uma das outras, com aldeias que se distribuem a distância regular entre si, intimamente ligadas às principais linhas de água. Na envolvente das aldeias, o mosaico torna-se mais apertado e diversificado, incluindo as hortícolas e árvores de fruto. Como pontos fortes, idubitavelmente a sua paisagem rural harmoniosa e rica em elementos de vegetação natural, bem como as disponibiliades hídricas e recursos edáficos proporcionados pelas ancestrais estruturas de conservação de solo (socalcos).
Carvalhal (28%), Folhosas (20%), Carvalhiça (12%) e Sequeiro marginal (11%) predominam sobre um conjunto recorrente e harmonioso de ocupações do solo. Sobre o substrato de rochas básicas e ultrabásicas do Complexo Alóctone Superior, Intermédio e Inferior, particulares da região mas raras no País, trata-se da terceira maior unidade de paisagem do PNM, o genuíno mosaico agrícola da Terra Fria Transmontana, bastante heterogénea com manchas e alinhamentos de castanheiros alternando com lameiros e campos de centeio.


4. Aberta (Policultura extensiva de planalto)

Trata-se de uma paisagem típica de mosaico cultural aberto,com parcelas cerealíferas frequentemente bordejadas por alinhamento arbóreos de carvalho e freixo, mas também olivais, soutos, batata, e forragens. Sequeiro marginal (20%), Sequeiro intensivo (20%) e Sequeiro com matos – pousio (16%) predominam sobre as restantes ocupações de solo. É uma paisagem aberta, distinta pela sua simplicidade e compartimentação ortogonal rectilínea. Esta matriz agrícola tem utilização relativamente intensiva pela sua favorável fisiografia e proximidade à cidade de Bragança, entre outras povoações rurais com um número ainda significativo de habitantes. O sequeiro intensivo é intercalado por lameiros periodicamente húmidos e sequeiro extensivo, criando um padrão homogéneo inerente a uma estrutura de propriedade de dimensão superior à restante área do PNM. A sua presença revela-se na área de influência das aldeias de Babe, Caravela, São Julião de Palácios, Deilão, Sacoias, Baçal e Varge, no concelho de Bragança, bem como Soeira, no concelho de Vinhais.


5. Montanha granítica (Mosaico de carvalhais e vidoais de montanha e áreas de vegetação arbustiva resultantes da sua degradação)

Marcada pelo seu substrato granítico, localização fronteiriça e posição periférica, trata-se de uma paisagem grandiosa, a mais alta do PNM, com um topo agreste, rochoso – granito – relativamente extensa e pontuada por enormes blocos de formas arredondadas. É uma paisagem despida de vegetação arbórea, com pouca vegetação arbustiva e alguma pastagem. Herbáceas e Afloramentos rochosos (40%), Matos rasteiros 26%) e Sequeiro marginal (14%) são as ocupações de solo preponderantes. O tom dominante é o cinzento dos granitos, ou o branco da neve no Inverno. Trata-se de uma paisagem quase despovoada, na área de influência das povoações de Montesinho (Bragança) e Pinheiro Novo e Pinheiro Velho (Vinhais), com reduzido número de assentos de explorações agrícolas.
Do alto de Montesinho divisa-se grande parte da Terra Fria Transmontana, uma sucessão de elevações, planaltos, encostas e vales. Estes horizontes imensos, aliados à dureza da rocha e à discrição das marcas de ocupação ou usos pelo Homem, conferem a esta paisagem uma grandiosidade própria, a que se alia uma sensação de rudeza e isolamento. Na área dos Pinheiros não apresenta a altitude, rudeza e grandiosidade de Montesinho, é um pouco mais humanizada mas com as mesmas formas arredondadas, intercalando os seus afloramentos rochosos com pastagens e matos, determinando um uso silvopastoril predominante. Algumas áreas de planalto são ocupadas por culturas anuais, sobretudo centeio, mas também triticale, batata e nabo, pontudas por alguns pinhais. Nesta sub-unidade, são também característicos os carvalhais que se desenvolvem ao longo dos vales, um elemento marcante do seu carácter. A neve, já não tão frequente e prolongada como outrora, fornece o contraste que permite às pequenas aldeias, com as suas habitações em granito, serem uma das imagens de referência desta paisagem.




Fonte: Estudos de Caracterização do POPNM
[PNM (2007). Estudos de Caracterização. Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho. Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional. Instituto da Conservação da Natureza. Parque Natural de Montesinho. Bragança.]