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PATRIMÓNIO CULTURAL

ESTEIRAS

Arzila, freguesia do concelho de Coimbra, situada a cerca de 13 km desta cidade, caracteriza-se etnograficamente pela manufactura de esteiras, actividade hoje reduzida a ofício subsidiário.
A oeste da povoação situa-se o paul, e é no seu interior que se encontra o bunho (Scirpus lacustris), matéria-prima essencial no fabrico das esteiras.
O corte do bunho é efectuado no fim do verão, utilizando o “foição”, sendo uma tarefa de grande dureza. Procede-se seguidamente aos trabalhos de escolha, ajuntamento e recolha, assim como aos cuidados com a secagem. É também cortado o junção (Carex riparia) para fazer a “baraça”, utilizada também no fabrico das esteiras.
As esteiras são feitas num tear rudimentar, composto por duas varas laterais – os canenhos – encostadas a uma parede, que sustentam uma tábua horizontal com entalhes, onde é colocado o bunho, prendendo-se com as “baraças” a cujas pontas foram amarradas pedras, com função de contrapesos. Dos dois molhos de bunho encostados aos “canenhos”, a esteireira vai retirando as hastes, colocando-as horizontalmente na tábua sobre as “baraças”; estas são viradas alternadamente, as do lado direito com as do lado esquerdo, trocando as pedras da frente com as pedras de trás. Ao colocar as últimas hastes de bunho, a esteireira retira as pedras e ata as pontas da “baraça”.

A melhoria das condições económicas, através da ocupação nos sectores secundário e terciário, aliada à dureza do trabalho do corte de bunho, levou a uma progressiva diminuição do seu fabrico.

Com a Reserva Natural procura-se incentivar esta actividade artesanal, não só pela sua componente económica e social, mas também pela manutenção e conservação do ecossistema.