Pesquisar
FLORA E VEGETAÇÃO

FLORA

A riqueza florística da Reserva Natural do Paul de Arzila evidencia-se no seu extenso elenco de espécies, que atinge mais de trezentas plantas (Paiva et al.1993); este elevado número encontra paralelo na sua diversidade pois pela sua situação geográfica e características climáticas e edáficas, esta área apresenta espécies xerófilas e espécies higrófilas, além de em termos mais latos surgir uma ecotonia entre a Região Mediterrânica e a Região Eurossiberiana, com a presença de espécies próprias de cada uma delas, dado que esta área se situa biogeograficamente no Subsector Beirense-Litoral do Sector Divisório Português da Província Gaditano-Onubo-Algarviense (Costa, et al. 1998). Encontramos assim, um tanto inesperadamente, a Aveleira (Corylus avellana L.), o Carvalho-alvarinho (Quercus robur L.), o Feto-real (Osmunda regalis L.) e até o raro Selo-de-Salomão (Polygonatum odoratum L.) em locais húmidos e sombrios, enquanto que nas áreas mais secas e quentes se podem encontrar o Carvalho-cerquinho [Quercus faginea], o Sobreiro (Quercus suber L.), o Rosmaninho [Lavandula stoechas L.], as estevas (Cistus sp.) etc. Apesar da existência de alguns endemismos – Agrimónia-bastarda [Sanguisorba hybrida (L.)], Rosmaninho [Lavandula stoechas L.], Galium broterianum, etc. – ou de maior especificidade em termos de habitat, considerou-se que, em termos qualitativos, não ocorrem na RNPA/ZPE Paul de Arzila valores de destaque ao nível das espécies.
A área pode ser dividida em duas zonas distintas: zona florestada e zona paludosa.

Zona Florestada
Ocupa grande parte das encostas que ladeiam o paul; é composta principalmente por Pinheiro-bravo (Pinus pinaster Aiton), Eucalipto (Eucalyptus globulus Labill.), Sobreiro (Quercus suber L.) e Carvalho-cerquinho [Quercus faginea], este constituindo também uma mancha quase estreme, e ainda o Carvalho-alvarinho (Quercus robur L.); no sub-bosque, encontra-se com frequência o Medronheiro (Arbutus unedo L.), o Espinheiro-alvar (Crataegus monogyna Jacq.), o Sabugueiro (Sambucus nigra L.), o Loureiro (Laurus nobilis L.), a Gilbardeira (Ruscus aculeatus L.), diversas espécies de tojos (Ulex sp.), urzes (Erica sp.), estevas (Cistus sp.) e trepadeiras; os estratos herbáceo e muscinal são igualmente ricos.

Zona Paludosa
Ocupa o fundo do vale e é constituída principalmente por Caniço [Phragmites australis], Bunho (Scirpus lacustris), tabúas (Typha sp.), juncos (Juncus sp.) e grande quantidade de espécies herbáceas; ainda nesta zona ocorrem formações arbóreas e arbustivas, compostas por maciços de Salgueiro-preto (Salix atrocinerea), bosquetes de amieiros (Alnus glutinosa) e exemplares algo dispersos de freixos (Fraxinus angustifolia), ulmeiros (Ulmus sp.), choupos-negros (Populus nigra L.) e outros salgueiros.(Salix sp.).


 


VEGETAÇÃO

A principal característica duma paisagem vegetal, é a disposição dos ecossistemas em função dum gradiente ecológico como o solo ou o clima. Com esta base, dividem-se as Séries de Vegetação em Séries climatófilas e Séries edafófilas; as primeiras dizem respeito às comunidades climácicas e respectivas etapas de substituição, pertencentes a regiões vastas, homogéneas do ponto de vista climático; as segundas referem-se, também, a comunidades climácicas, mas de territórios mais pequenos, e cujo clímax se relaciona com diversos factores edáficos, como a natureza do substrato, o nível do lençol freático e o teor em sais, a que acresce em Zonas Húmidas abertas, a velocidade de escoamento.
Quanto à Vegetação, a RNPA/ZPE Paul de Arzila apresenta uma paisagem vegetal diversificada, englobando várias Séries de Vegetação, tanto climatófilas como edafófilas. Assim, as comunidades vegetais existentes vão desde as Classes Quercetea Ilicis (onde se englobam os sobreiros) e Cisto-Lavanduletea (matos com estevas e rosmaninho), xéricas e heliófilas, às Classes Potametea (comunidades com nenúfares) e Artemisietea vulgaris (vegetação nitrófila, vivaz, com ervas altas e trepadeiras), higrófilas e por vezes ciáfilas. O grande destaque vai para as formações aluvionares e ripícolas, como a Associação Ficario-Fraxinetum angustifoliae (com freixo-de-folha-estreita, ulmeiro e salgueiro-preto) e, principalmente, para a Associação Galio-Alnetum glutinosae (bosque de amieiros e salgueiros com presença de feto-real e de Galium broterianum) consideradas “extremamente raras no nosso país, encontrando-se as pouquíssimas existentes muito alteradas” (Alves et al., 1998) apresentando-se esta última em excelente estado de conservação.

A vegetação paludícola – aquática, helófita e anfíbia – encontra-se representada por diversas Associações de que destacamos a Lemnetum minoris (comunidade de lentilhas-de-água) que surge nomeadamente nas valas e charcos e a Myriophyllum-Nupharetum (comunidade com erva-pinheirinha e nenúfares), fragmentária nas valas e completa nos lagos do paul, indicadora da qualidade da água, e principalmente as Associações Scirpo-Phragmitetum (comunidade de caniço e bunho) e Typho-Scirpetum (comunidade de bunho e tabúa) que ocupam quase todo o paul (nomeadamente a primeira, sendo a sua distribuição determinada pela profundidade e qualidade da água).