A afectação das zonas húmidas a actividades recreativas e a reclamação dessas zonas para a agricultura ou urbanização faz com que elas se tenham vindo a perder. No entanto, a integração em quintas de razoável dimensão (Quinta do Paul do Boquilobo, Quinta de Mato Miranda e Quinda da broa ou do Almonda) permitiu evitar a completa drenagem e a destruição de habitat, levando consequentemente à conservação desta Área Protegida.
Agricultura
A fertilidade dos terrenos de aluvião permite uma agricultura intensiva e rentável. O perfil produtivo desta área agrícola sofreu várias alterações nas últimas décadas, sendo que a diversidade e complementaridade de culturas foram sucessivamente dando lugar à cultura de regadio.
No Paul do Boquilobo, o milho para grão domina os campos. O tomate e o pimento para a indústria e as searas de melão, intercalam-se nos campos de milho na Primavera/Verão. O cultivo da beterraba tem vindo a aumentar de importância. Os nabos, couves e alfaces, como segunda cultura, ocupam os campos desde o final do Verão até onde o Inverno o permite.
As valas de drenagem e os caminhos, acompanhados de sebes de compartimentação de freixos e marmeleiros, cujas folhas são usadas na preparação de tisanas e remédios naturais, caracterizam a paisagem da lezíria. Esta rede, outrora densa, tem vindo a diminuir por força da artificialização, da drenagem e mecanização das culturas.
O excesso de fertilizantes e pesticidas que contaminam as águas, a dispersão dos plásticos motivada pelas cheias e o abaixamento do nível freático por extracção de água para rega são alguns dos problemas ambientais originados pelas actividades agrícolas.

Pastorícia
a criação de cavalos está associada às grandes quintas e à existência de prados naturais nas zonas frescas. As manadas são maioritariamente da raça do cavalo Lusitano.
O pastoreio de cabras e ovelhas é exercido por pastores provenientes da charneca, que no período mais seco, pastam o gado na lezíria à procura de restolhos e ervagens.

Pesca
A pesca constitui uma actividade tradicional, exercida por pescadores da região (em geral provenientes da Azinhaga). Os barcos utilizados são do tipo bateira e as artes usuais são o covo ou cesto, a balança ou ratel e a nassa.
A enguia Anguilla anguilla e a fataça Lisa ramada eram as espécies mais procuradas, mas com a criação da Zona de Pesca Profissional do Rio Almonda – Paul do Boquilobo, através da Portaria n.º 1089/99, de 17 de Dezembro, apenas é permitida a captura do lagostim-vermelho-da-louisiana Procambarus clarkii mediante licença.

Caça
A caça é interdita na Reserva de acordo com a Portaria n.º 881/93, de 15 de Setembro.