Estado actual das comunidades de cavalos-marinhos na Ria Formosa
“Devido às particularidades da sua biologia e ecologia, os cavalos-marinhos (família Syngnathidae) enfrentam grandes problemas de conservação ambiental. As suas populações encontram-se ameaçadas à escala mundial devido à degradação dos habitats, à captura acessória em artes de pesca e à sobre-exploração para utilização em medicinas tradicionais e na comercialização no mercado internacional das espécies ornamentais. Somente duas das 36 espécies de Syngnathidae habitam a Ria Formosa (Hippocampus guttulatus e H. hippocampus), onde, entre 2001 e 2002, foram registadas as maiores e mais estáveis populações de cavalos-marinhos do mundo. Observações recentes (2007-2008) comprovaram um decréscimo acentuado (na ordem dos 85%) no número de indivíduos de H. guttulatus. Torna-se por isso, de extrema importância, monitorizar as populações de cavalos-marinhos, num espaço temporal contínuo e alargado, pois só assim é possível obter e compilar informação essencial para a sua gestão e conservação. Compreender a biologia destas espécies, torna-se especialmente relevante pelo facto de todas as espécies do Género Hippocampus estarem incluídas no Anexo II da CITES (Convention on International Trade of Endangered Species). O melhor conhecimento da sua biologia, da ecologia e dos vários parâmetros populacionais, irão ajudar a desenvolver estratégias de gestão que assegurem a ocorrência destas espécies em ambientes naturais. Simultaneamente, a implementação de estratégias de gestão é fundamental para a salvaguarda das populações, bem como o estabelecimento de protocolos de conservação e de manutenção das populações de H. guttulatus e H. hippocampus ainda existentes na Ria Formosa, promovendo a sensibilização das entidades nacionais responsáveis e público em geral para a necessidade de preservar estas espécies e os respectivos habitats.”
Miguel Correia: CCMAR/Universidade do Algarve - Project Seahorse