Património arqueológico
Na área da Reserva Natural e envolvente próxima existem perto de 50 sítios arqueológicos, a maioria datados dos períodos Neolítico-Calcolítico, Época Romana e Islâmico-Medieval. Durante a época romana Castro Marim terá sido um pequeno centro urbano, denominado Baesuris. As escavações arqueológicas no Castelo de Castro Marim permitiram identificar uma longa diacronia de ocupação, que vai desde o Bronze Final até ao período romano.
Apresenta-se seguidamente uma listagem dos principais sítios arqueológicos existentes na área da Reserva Natural:
• Via Romana: Praticamente já destruída, apenas existem vestígios de cerca de 50 m na base do castelo. Faria parte do traçado, Pax Julia - Mirtylis, seguindo para sul.
• Castro Marim - traseiras da Igreja: Vestígios de cerâmica (alguma decorada), fragmentos de tegulae (encontrando-se uma peça inteira) e de um muro seccionado perpendicular, foram postos a descoberto após um corte no terreno, efectuado em 1980.
• Castro Marim – Castelo: períodos Medieval Islâmico/Idade do Ferro/Idade do Bronze/Romano/Moderno. A ocupação do Castelo terá ocorrido desde o final da Idade do Bronze/Ferro, prolongando-se até ao século XVII. Destas ocupações ficaram vestígios arqueológicos que provocam uma complexa estratigrafia. Foi posta a descoberto a muralha da Idade do Ferro, bem como um troço de construção romana que terá sido acrescentado; um edifício de planta rectangular, presumivelmente uma capela filipina construída nos finais do séc. XVI/inícios do séc. XVII; uma calçada, sobrepondo-se a este edifício, que não deverá ser muito posterior ao século XVIII e uma série de paredes pertencentes a estruturas habitacionais. Confirmou-se a existência de três níveis da Idade do Ferro bem diferenciados estratigraficamente. Está classificado com ZEP – Zona Especial de Protecção.
• Castro Marim - estação de ar livre: Indústria paleolítica em diversos locais. Vestígios de seixos afeiçoados. Trata-se de uma área de grande dispersão de materiais com interesse arqueológico.
• Fornalha: Villa romana. Foi encontrado um vaso de “Terra sigillata” e há referências a outros materiais e inscrições. Apareceram para além de cistas da Idade do Bronze, vestígios de uma necrópole romana.
• Sobral de Baixo: Villa do período Romano/Medieval Islâmico. Vestígios de estruturas, sepulturas (de argamassa e outras de reboco) e fragmentos de cerâmica.
• Vale do Bôto: Povoado do período Romano/Medieval Islâmico. Identificação de várias estruturas habitacionais, de uma necrópole de inumação e de 6 silos. Deverão corresponder a um núcleo populacional que floresceu numa actividade económica ligada à pesca e à agricultura, durante o período de ocupação muçulmana do Algarve Oriental, e que possivelmente terá desaparecido em meados do séc. XIII, quando se dá a conquista de Castro Marim.