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PR2 (RMR) - Percurso Pedestre Chãos / Alcobertas

BREVE DESCRIÇÃO

O percurso pedestre de Chãos /Alcobertas permite três opções de circuito:

a) Variante A - troço que desce ao interior da povoação de Alcobertas, com maior incidência no património cultural e nos vestígios arqueológicos aí existentes.

b) Variante B - troço representativo do património cultural serrano, de aspectos importantes da geomorfologia e da paisagem natural da vertente nascente da Serra dos Candeeiros e o troço assinalado a tracejado na carta que permite, a partir do Olho de Água, retornar ao ponto de partida (Chãos), reduzindo assim a extensão do mesmo.

Com início no Centro de Tecelagem Artesanal de Chãos, edifício anexo de antiga casa florestal, recuperado em 1993, que funciona actualmente como oficina de tecelagem artesanal, o percurso segue pela povoação de Chãos, onde o sector agro-pecuário constitui uma das principais fontes de rendimento. Descendo para Alcobertas, povoação rica em vestígios arqueológicos, onde se destaca a Anta neolítica e os silos de armazenamento de cereais, segue-se para o Olho d´água das Alcobertas. Continuando o percurso a partir do Olho d´água, inicia-se uma subida vigorosa em direcção a Casais Monizes, ao longo do Vale Galego, onde é comum avistar a silhueta do peneireiro-de-dorso-malhado.

Na travessia do vale, organizado em socalcos, passam-se sucessivos chousos nos quais é possível observar, ainda, uma agricultura de subsistência com cultura de batatas, favas, abóboras, ervilhas, etc. Atinge-se assim a cumeada da Serra dos Candeeiros, onde a cota mais alta atinge os 487 metros junto ao cruzeiro e algar do mesmo nome, no meio de um alecrinzal que forma tufos arredondados dispersos por pequenos lapiás.

Num pequeno vale, uma lagoa recentemente recuperada e tradicionalmente utilizada para bebedouro do gado, constitui uma paragem obrigatória para todos quantos ali passam, homens e animais.

A variação no tipo de solo, ao longo do percurso, constitui um factor determinante do coberto vegetal. Nas zonas serranas, o solo é de origem calcária, nas zonas mais baixas, os solos são mais argilosos. Esta diferença marca algumas características da vegetação natural e também da agricultura. Dada a sua maior aptidão, nos solos arenosos, estão instaladas culturas florestais de eucalipto e pinheiro-bravo; também aqui é possível observar plantas que não toleram o cálcio (mais ou menos disponível no outro tipo de solo) como o cravo-do-monte (Simethis planifolia), uma bolbosa que exibe ramos florais com 4 ou 5 pequenas flores brancas e folhas basais sinuosas, ou a urze-vermelha.

Por outro lado, no Maciço Calcário, chama-se a atenção para as extensas manchas de alecrim, que pelo efeito do conjunto domina a paisagem, onde já se vai notando aspectos da regeneração natural do azinhal, com plantas de porte arbustivo e que, por isso mesmo, se denomina localmente de carrasco-branco.

Ainda interessante é verificar na encosta exposta a Sul do Vale Galego a ocorrência de um denso carrascal, de penetração penosa, resposta natural à ausência de solo e às condições térmicas resultantes da exposição da encosta.

ALGUNS PONTOS DE INTERESSE

Cisterna
Na ausência de água à superfície, as cisternas foram desde a mais remota ocupação humana uma forma tradicional de armazenamento de água, hoje parte integrante do património cultural desta região. Podendo assumir diversas formas, naturais ou construídas, neste caso específico, foram colmatadas as fendas naturais na rocha e construída uma cobertura em tijolo, bastante invulgar. A impermeabilização era tradicionalmente feita com uma mistura de azeite e cal.


Afloramentos rochosos
No prolongamento do Vale Diapírico da Fonte da Bica, estes afloramentos parecem ser o preenchimento da caixa de falha associada a este acidente tectónico. Em termos paisagísticos, estes relevos cársicos de cor esbranquiçada emergem do tapete verde que os envolve. Escorrendo para poente, ganham solo arável e, para nascente, transformam-se em imponentes relevos debruçados sobre a povoação das Alcobertas.


Cova da Aroeira
Também conhecida por “Poça da Aroeira”, por ser um local onde a água “nasce” praticamente durante todo o ano e onde existem aroeiras (Pistacia lentiscus), espécie arbustiva frequente na região. A particularidade deste local, relativamente à área envolvente, resulta da existência de um solo argiloso, que devido à sua fraca permeabilidade, permitiu ao homem fazer o aproveitamento da água existente no solo, nomeadamente através de poços e represas, permitindo a sua própria sobrevivência nesta região.


Azenha
A azenha que vos convidamos a visitar, mediante contacto prévio com o proprietário, mantém-se em funcionamento nos moldes tradicionais, moendo os cereais que irão dar origem ao saboroso pão que eventualmente poderão provar. É uma das muitas azenhas situadas ao longo da Ribeira das Alcobertas, uma das nascentes permanentes do Maciço Calcário.


Anta - Capela das Alcobertas (Imóvel de Interesse Público desde 1957)
É um monumento megalítico funerário do Neolítico (aproximadamente 4000/3500 a.c.).
Desconhecendo-se a época da sua cristianização, a ermida é em 1536 elevada a primeira igreja da freguesia. No séc. XVII/XVIII, dá-se a rotação da igreja para a posição actual, deixando o dólmen de funcionar como capela e altar-mor e passando a ser uma capela lateral dedicada a Santa Maria Madalena.


Silos
Na periferia da povoação, cavados num arenito avermelhado no cimo de um cabeço, encontra-se um notável agrupamento de silos. Embora actualmente o grupo esteja reduzido a alguns exemplares em bom estado, calcula-se que seriam à volta de oitenta a cem silos, distribuidos por um eixo de aproximadamente 60 metros. Pensa-se que seriam silos de armazenamento de cereais, embora análises feitas a terra retirada do seu interior, não detectassem qualquer tipo de sementes e se desconheça o período a que remontam.


Olho d´Água das Alcobertas
Olho d´Água, designação utilizada para as nascentes localizadas nos bordos dos maciços calcários, o das Alcobertas constitui uma das várias exsurgências permanentes que ocorrem no Maciço Calcário Estremenho das quais se destacam Almonda, Alviela, bocas de Rio Maior, do Rio Alcoa, do Rio Liz e de certas nascentes do Rio Lena. O seu débito não ultrapassa os 100 000 m3 por dia, constituindo, no entanto, um ponto importante de abastecimento de água nomeadamente para rega, lavagem e bebedouro dos animais. Agradavelmente enquadrada por alguma vegetação ripícola, dispõe de mesas, bancos e grelhadores, que lhe permitirão fazer uma pausa agradável ao longo deste percurso.


Escarpas
No início do vale, de nome Galego, sensivelmente paralelo à estrada que liga Alcobertas a Casais Monizes, pode-se apreciar a inclinação das camadas de calcário que se acompanham ao longo de todo o vale. É de notar as diferentes características litológicas das camadas, reconhecíveis pelos diferentes graus de erosão que sofreram, uma vez sujeitos aos mesmos agentes; as lapas que se observam na parte final do vale, são disso testemunho.


Arquitectura tradicional
Casais Monizes, pequeno povoado com cerca de 340 habitantes, onde a pequena indústria ligada à transformação da pedra, constitui a actividade económica dominante, para além de algumas unidades agro-pecuárias. A pedra calcária, matéria-prima por excelência nesta região, encontra neste conjunto arquitectónico, um exemplo curioso do nosso património construído; veja-se a casa com a cisterna anexa e o respectivo sistema de recolha de águas (caleira em pedra).


Algar do Cruzeiro
Um dos poucos algares detectados na cu-meada dos Candeeiros, deve o seu nome ao Cruzeiro que existe nas proximidades, erigido em honra de Nª Srª da Conceição, em 1946. Cavidade com cerca de 2m de profundidade, sem grande expressão espeleológica, deve a sua importância ao facto de ter constituído, em tempos, um dormitório importante das gralhas-de-bico-vermelho, espécie emblemática desta Área Protegida.


Lagoa dos Candeeiros
Lagoa natural, tradicionalmente procurada pelo gado e fauna em geral, constitui igualmente um ponto de água importante no apoio ao combate aos incêndios. Recentemente recuperada é um reservatório importante de água das chuvas, na aridez da serra dos Candeeiros.


Pedreira de calcite
A calcite, é o segundo mineral mais frequente na composição das rochas e o mais importante na formação dos calcários, pelo que se pode observar frequentemente nesta região. Tradicionalmente utilizada como matéria-prima na vidragem das cerâmicas, actualmente e face ao avanço de novas tecnologias, tem vindo a ser abandonada a sua utilização.


Moinhos
Assinalando pontos notáveis da paisagem serrana, os moinhos de vento, foram noutros tempos, determinantes na moagem dos cereais, essencialmente do trigo. Tradicionalmente associados ao forno para cozedura do pão, enquadravam-se num sistema social em que a retribuição do trabalho ao moleiro era feita com uma parte da farinha que resultava do cereal. Actualmente votados ao abandono na sua maioria, existem no entanto alguns casos de moinhos recuperados para alojamento turístico, nomeadamente no Alto da Serra e em Senta.