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PR6 (PMS) - Percurso Pedestre da Fórnea

BREVE DESCRIÇÃO

O Maciço Calcário, cuja formação se iniciou há cerca de 200 milhões de anos, é essencialmente constituído por rochas carbonatadas de origem marinha. De facto, no decorrer do período Jurássico, verificou-se uma importante transgressão em que o oceano em movimento, invadiu os terrenos então emersos, originando os depósitos espessos que hoje constituem o Maciço Calcário.

O trilho proposto aos visitantes desenvolve-se em terrenos que abrangem formações do Jurássico Médio e Inferior, permitindo a observação de alguns tipos de rochas constitutivas do subsolo da região e uma estrutura geológica única no país, uma das melhores conservadas da Europa, a Fórnea.

Ao longo do percurso, são possíveis de observar diferenças significativas na vegetação, fundamentalmente relacionadas com alterações microclimáticas e da natureza do solo.
Em toda a costa predominam matos baixos, compostos maioritariamente pela roselha (Cistus albidus), alecrim (Rosmarinus officinalis) e de quando em quando um ou outro pilriteiro (Crataegus monogyna).
Bem lá ao fundo, nas margens do leito sazonal da ribeira da Fórnea, algumas figueiras (Ficus sp.) atingem grandes dimensões, tal como grandes pilriteiros, loureiros (Laurus nobilis) e medronheiros (Arbutus unedo). É também aí que se encontram dois exemplares preciosos de uma árvore já rara em Portugal: a zelha (Acer monspessulanus), espécie de folhagem verde-amarelado, caduca, característica da vegetação mediterrânica.

Nos terrenos agrícolas com olival ocorre com certa abundância uma planta aromática e condimentar de uso tradicional na cozinha alentejana: o poejo (Mentha pulegium), planta rasteira com pequenas folhas de um verde claro e inflorescências azuis.

Pelas suas características ecológicas, a Fórnea, possibilita a existência de uma grande variedade de habitats permitindo a ocorrência de diversas espécies faunísticas.

Entre os Répteis destaca-se a cobra-de-escada, a cobra-de-ferradura, a cobra-rateira, o sardão e a lagartixa-do-mato. Nas Aves podemos observar o peneireiro-de-dorso-malhado, a águia-cobreira, a águia-de-asa-redonda, o cartaxo, o tentilhão-comum, a toutinegra-real, o verdilhão, a milheiriça, a perdiz, a rola e a escrevedeira-de-garganta-preta. No grupo dos mamíferos poderão ocorrer a raposa, a doninha, o texugo e o ouriço-cacheiro.

ALGUNS PONTOS DE INTERESSE

Ribeira da Fórnea
Ribeira temporária alimentada pelas exsurgências da vertente da fórnea, com um caudal de água considerável durante o inverno e completamente seca nos meses de verão.


Conglomerados
No leito do Ribeiro da Fórnea observam-se grandes blocos calcários de cor esbranquiçada com uma estrutura peculiar. Trata-se de um tipo particular de rochas sedimentares, os conglomerados, constituídos por fragmentos de rocha ou clastos, mais ou menos arredondados e ligados entre si por um cimento carbonatado. O arredondamento dos clastos é sinal de transporte geralmente longo.
Nalguns blocos, calcários orgânicos, também denominados recifais, pode observar-se a acumulação de estruturas pouco nítidas de restos de animais marinhos.


Cascata /cascalheiras
Os depósitos de crioclastos e escombreiras de gravidade são comuns em toda a Fórnea, mas particularmente espectaculares na vertentes SO e NO. São contemporâneos de um clima frio marcados pela actuação do gelo aqui presente durante os períodos frios do quaternário.


Fórnea
Trata-se de uma magnífica estrutura em anfiteatro com cerca de 500m de diâmetro e 250m de altura, corresponde à cabeceira encaixada do Ribeiro da Fórnea escavado em calcários margosos e margas do Jurássico Inferior a que se sobrepõe os calcários do Jurássico Médio.


Cova da Velha
Nas vertentes da Fórnea, situam-se várias exsurgências temporárias de caudal diminuto.
A mais importante brota de uma cavidade penetrável, a Cova da Velha. Esta nascente vai alimentar o Ribeiro da Fórnea, afluente do rio Alcaide e sub-afluente do rio Lena. O acesso a esta cavidade apresenta alguma dificuldade em termos de piso instável, pelo que se aconselha algum cuidado acrescido.