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PR1 (RMR) - Percurso Pedestre Marinhas de Sal

BREVE DESCRIÇÃO

Localizadas no sopé da Serra dos Candeeiros, a 3 Km de Rio Maior, encontram-se as Marinhas de Sal.

Mantendo as regras de utilização e gestão com oito séculos de história, constituem um valioso e invulgar património natural e cultural, classificado de Imóvel de Interesse Público. A produção e armazenagem tradicional do sal, preservada até hoje pela Cooperativa dos Salineiros Solsatur, e todos os outros aspectos culturais e antropológicos a elas associadas, fazem das Marinhas de Sal um ponto obrigatório de paragem para quem visita o PNSAC.

Contornando o morro a sul das salinas, este pequeno percurso percorre sobretudo zonas de agricultura, numa paisagem diversificada em termos de ocupação do solo, alternando o pomar e a vinha com os matos, o pinhal e o eucaliptal. Embora não seja uma zona de especial interesse faunístico, podem ser observadas mesmo assim um número significativo de espécies. Nos muros junto às salinas podem ser vistas a lagartixa-comum e as osgas, podendo durante o inverno ser observados pato-reais nas salinas.

Nos terrenos agrícolas confinantes podemos ver a rã-de-focinho-ponteagudo ou um número variado de aves onde se destaca a gralha-preta, o melro, o picanço-real, o verdilhão, o chamariz e o pintassilgo. Nas zonas de eucaliptal poderá ser ouvido o pica-pau-malhado-grande, ou observado um gaio ou um estorninho-preto. E nos matos poderão ser visíveis vestígios da passagem de alguma raposa ou avistados o coelho e os ratos-do- campo.

O percurso leva-nos à povoação da Fonte da Bica, na vertente norte das Salinas, onde se pode usufruir de uma panorâmica global do vale fértil, manchado de inúmeras cores e texturas, onde nascem as Marinhas de Sal.

ALGUNS PONTOS DE INTERESSE

Marinhas de Sal (Imóvel de Interesse Público)
As Marinhas do Sal, ex-libris da cidade de Rio Maior, consistem numa mina de sal-gema, muito extensa e profunda, atravessada por uma corrente subterrânea que alimenta um poço, o que faz com que a água que dele é extraída seja salgada. Da sua exposição ao sol e ao vento e consequente evaporação, obtém-se o sal (entre Junho a meados de Setembro). Este é armazenado em curiosas construções em madeira com chaves e fechaduras também neste material, assim construídas desde a época romana.


Eucaliptal
O eucalipto é uma espécie florestal de origem australiana que chegou ao nosso país no século passado, inicialmente para produzir lenha para as caldeiras dos comboios, sendo hoje uma exploração florestal importante pela sua utilização na indústria do papel.
Esta espécie, pelas suas características de rápido crescimento, tornou-se uma espécie muito interessante para os produtores florestais que encontram nela o seu “mealheiro”, onde de 11 em 11 anos retiram dividendos. Como espécie de rápido crescimento, tem um elevado consumo de água, por isso deverá condicionar-se a sua expansão, sobretudo nas regiões calcárias, onde a problemática das águas subterrâneas é um factor determinante.


A Fonte da Bica
A “fonte da bica”, que dá o nome à povoação que fica mais a sul do vale diapírico, outrora um ponto de encontro social importante (abastecimento de água e local de lavagem de roupa) foi revitalizado através do programa de Qualificação de Aglomerados Rurais, mantendo-se um espaço obrigatório de paragem, para os residentes e para os visitantes.


Vale Tifónico
Margas do Hetangiano que afloram mercê de acidentes da tectónica diapírica, susceptíveis de fácil escavamento pela escorrência e pela erosão regressiva, condicionaram a formação deste vale profundamente entalhado. Dada a diferença de grau de dureza entre as duas rochas presentes, também a erosão diferencial se fez sentir e naturalmente a depressão foi rasgada nas margas.
Typhón, deus da mitologia grega, que para nascer esventrou a mãe, está na origem da designação tifónico, sinónimo de diapírico. O vale que se observa deste ponto, resultou assim do abatimento da camada superficial de calcário após o esvaziamento do seu “miolo” constituído por rochas sedimentares como sejam o sal e o gesso, formadas a partir dos minerais deixados para trás por lagos e mares antigos.