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Fauna

 

A fauna distribuída pelos cinco grandes meios que são facilmente reconhecíveis na Serra da Estrela:  o Meio Rural, o Meio Florestal, o Meio Arbustivo, o Meio sub-alpino e os cursos de água

 

 

O Meio Rural: Envolvendo a Serra numa cintura que vai até aos 900 metros de altitude, vamos encontrar uma zona onde se situam as principais povoações e se pratica uma agricultura assente na pequena propriedade. Neste meio, onde os solos são mais férteis e há agua em abundância, permite que,  num espaço relativamente pequeno, a fauna disponha simultaneamente de boas zonas de alimentação (explorações agrícolas), bebedouros (tanques e riachos) e áreas de abrigo e reprodução (bosquetes, manchas de matagal e silvados). A Águia-de–asa-redonda  (Buteo-buteo) e a Raposa (Vulpes-vulpes) refugiam-se em pequenos pinhais e caçam em área abertas, enquanto o Sapo-comum (Bufo-bufo) esconde-se em muros e zonas arbustivas, alimenta-se nas hortas e vai acasalar em charcos e linhas de água. Por outro lado, a Toupeira (talpa occidentallis) que apareceu à superficir da terra num lameiro poderá constituir a próxima refeição da Coruja-das-torres (Tyto alba) que habita o velho pombal; a Lagartixa-iberica (Podarcis hispânica) caça por entre as pedras do muro que limita a vinha onde saltou uma Lebre (Lepus capensis) . Uma Poupa (Upupa epops) que deixou a cavidade de uma velha oliveira  e veio sondar com o seu bico recurvado o solo de um pousio; na orla deste, um Coelho  (Oryctolagus cuniculus)  espreita  de dentro do giestal.

 

Num prolongamento do meio Rural em altitude (900-1400m) é o domínio das searas de centeio, implantadas nos terrenos mais amplos e de solos pobres. Elas constituem um biótopo homogéneo e estruturalmente simples que suporta um número de espécies reduzido das quais se destacam o Tartaranhão-caçador (Circus pygargus), a Codorniz (Coturnix coturnix) e a Laverca (Alauda arvensis).

 

 

O Meio Florestal: Este meio abrange essencialmente os andares basal e médio e é constituído pelas áreas cuja vegetação tem o estrato arbóreo como dominante. Nele podem diferenciar-se por um lado, as matas de espécies autóctones – Carvalhais, Soutos/Castinçais e Azinhais – e por outroas matas de espécies introduzidas – Pinhais e Matas de espécies exóticas.

As inúmeras fendas e cavidades dos troncos dos grandes castanheiros constituem óptimos locais de abrigo e reprodução para morcegos, a Geneta (Genetta genetta), a Fuinha (Martes foina), a Coruja-do-mato (Strix aluco), o Estorninho-preto (Sturnus unicolor) e o Pardal-francês (Petronia petronia) – raro nesta região e confinado apenas aos soutos. Quanto ao carvalhal, o único vertebrado que vale a pena referir é a Felosa de Bonelli (Phylloscopus bonelli).

Pode-se ainda observar em áreas de azinheiras, a imponente Águia-cobreira (Circaetus gallicus) especializada na captura de ofibios como a Cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis). Será mais difícil avistar um Javali (Sus scrofa) ou um dos vários mamíferos carnívoros que, sendo animais de actividade nocturna ou crepuscular, aproveitam a impenetrabilidade do azinhal para nele se refugiarem durante o dia. No Pinhal concentram-se a maioria das espécies típicas do meio florestal, dai a sua importância. O Grupo das aves é disso um bom exemplo: rapinas como o Gavião (Accipiter nisis) e o raro Açor (Accipiter getilis), pequenos passeriformes como os chapins e a Estrelinha-de-cabeça-listada (Regulus ignicapillus) e espécies de médio porte como o Gaio (Garrulus glandarius), o Pombo-torcaz (Columba palumbus) ou os pica-paus têm no pinhal o seu principal domínio de existência.

 

O Meio Arbustivo: É habitualmente muito denso pelo que constitui um local de refugio para inúmeros mamíferos como o Texugo (Meles meles) e suporta pequenas aves insectívoras como as toutinegras, a Carriça (Troglodytes troglodytes) e o Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) répteis e anfíbios como a Sardanisca-argelina (Psammodromus algirus) e o Sapo-parteiro (Alytes obstetricans). São zonas raramente visitadas pelo homem, aos matos juntam-se elementos arbóreos e blocos rochosos, onde ainda se escondia num passado recente uma população de Lobo (Canis lupus), outrora comum na Serra.

 

 

O Meio Sub-alpino: No mciço central, acima dos 1600m, onde os solos são praticamente inexistentes, a Lagartixa-de-montanha (Lacerta montícola) é um animal bem adaptado á vida nas rochas sobre os quais pode ser vista a caçar pequenos insectos. Este réptil é exclusivo da Peninsula Ibérica onde frequenta zonas de altitude sendo a Serra da Estrela o único local onde ocorre em Portugal. Algumas aves utilizam o meio rochoso apenas como abrigo e área de criação. É o caso da Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) e  do Mocho-real (Bubo bubo).

 

Cursos de água: A fauna acompanha as modificações operadas nas margens dos rios e ribeiros, o Melro-de-água (Cinclus cinclus), a Toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus) – um dos mamíferos mais raros de Portugal e considerado como uma relíquia biológica, a Rã-ibérica (Rana ibérica) e uma salamandra de difícil observação – a Quioglossa  (Chioglossa lusitanica) frequentam preferencialmente as correntes de águas límpidas e frias. A baixa altitude aumenta a capacidade de suporte dos cursos de água induzindo um maior numero de espécies animais: O Guarda-rios (Alcedo atthis), a Garça-real (Ardea cinerea), o Rouxinol (Luscinia megarhynchos), a Alveola-cinzenta (Motacilla cinerea), a Lontra (Lutra lutra), o Musaranho-de-água (Neomys anomalus), o Lagarto-de-água (Lacerta schreiber), a Cobra-de-água-viperina (Natrix maura), entre outros.

 

( in Estrela, uma visão natural, António Pena  e José Cabral)



Espécies de Fauna constantes do anexo B-II do Dec. Lei nº 49/2005 de 24/02


Código

Espécie

Nome vulgar

1078

Callimorpha quadripunctaria


1088

Carambyx


1065

Euphydryas aurinia


1024

Geomalacus maculosus


1083

Lucanus cervus

Cabra-loura, vaca-loura, carocha

1041

Oxygastra curtisii

Libélula, Libelinha

1116

Chondrostoma polylepis

Boga Comum

1135

Rutilus macrolepidotus

Ruivaco

1172

Chioglossa lusitanica

Salmandra lusitanica

1249

Lacerta monticola

Lagartixa-da-montanha

1259

Lacerta schreiberi

Lagarto de água

1221

Mauremys leprosa

Cágado mediterranico

1301

Galemys pyrenaicus

Toupeira de agua

1355

Lutra lutra

Lontra

1308

Barbastella barbastellus


1310

Miniopterus schreibersi

Morcego de peluche

1307

Myotis blythii

Morcego rato pequeno

1321

Myotis emarginatus

Morcego lanudo

1324

Myotis myotis

Morcego rato grande

1305

Rhinolophus euryale

Morcego de ferradura mediterrânico

1304

Rhinolophus ferrumequinum

Morcego de ferradura grande

1302

Rhinolophus mehelyi

Morcego de ferradura mourisco

1303

Rhinolophus hipposideros

Morcego de ferradura pequeno


Informação retirada do Plano Sectorial da Rede Natura 2000; Vol.I - Relatório e Fichas de Sítios da Lista Nacional