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PATRIMÓNIO CULTURAL


Por todo o Parque abundam vestígios da ancestral humanização da paisagem, remontando os mais antigos ao Paleolítico.
Este território foi posteriormente ocupado por povos de diferentes culturas, que se fixaram quer nos cumes da serra, quer em povoados junto ao litoral, beneficiando do contacto com o oceano.

Lendas de Sintra

  

Romanos, visigodos e árabes, deixaram marcas profundas no modus vivendi das populações. Alguns dos seus traços são ainda observáveis em estruturas rurais, tais como o casal saloio, os sitemas de moagem tradicional (moinhos de vento e azenhas), os sistemas de captação de água, fontes e fontanários, reflectindo uma estrutura social suportada por uma economia rural, baseando a sua interacção com o meio envolvente em premissas de singeleza e de respeito pela natureza.


O vocábulo Sintra nasceu muito provavelmente da palavra Cynthia, símbolo da lua na mitologia céltica. Os romanos chamavam-lhe Mons Lunae, o monte da lua. Foi a Xentra árabe. Depois a medieva Sintria ou Suntria (astro luminoso).

O casal saloio é um conjunto construído, simples e rural, com valência agrícola. Localizado fora dos aglomerados urbanos, é constituído por uma unidade principal destinada à habitação, geralmente de dois pisos, e anexos para a lavoura (estábulos, currais, adegas, forno e lagar).

Os moinhos de vento e as azenhas foram  progres-sivamente desactivados e abandonados. Muitos estão trans-formados em habitações de carácter permanente ou periódico. Mantém-se em funcionamento o moinho recuperado pelo PNSC em S. João das Lampas.


Casal saloio
(E. Gameiro)  

Moinho de S. João das Lampas (J. L. Dória)



Paralelamente a uma sociedade rural que ocupou os solos mais férteis e planos, a nobreza descobre os encantos deste território. Sobretudo a partir do século XIX, transforma parte da valência agrícola que as suas quintas e palácios representavam, em espaços de ócio e intensas vivências culturais e artísticas, características que se mantêm até hoje.


Destes destacam-se:
- O Parque e palácio da Pena, de características marcadamente românticas, foi construído por ordem do Rei D. Fernando II (1816-1885). Recusando a rigidez formal dos jardins clássicos e considerando o acidentado do relevo, a fertilidade do solo, a singularidade climática da serra e o carácter dos horizontes, o parque foi planeado de modo a se aparentar com uma ideia de naturalidade quase perfeita.

- O Parque e Palácio de Monserrate deve o seu nome à suposta construção na Quinta da Boa Vista de uma pequena capela votiva a Nossa Senhora de Monserrate, réplica da imagem em madeira de uma Nossa Senhora negra, venerada no Eremitério Beneditino de Monserrat, na Catalunha, em Espanha.
Em 1856, Monserrate é adquirida pelo inglês Francis Cook, que transforma a quinta num dos principais jardins exóticos da era vitoriana. Cria cenários contrastantes, que se sucedem ao longo de caminhos sinuosos, por entre grutas, ruínas, recantos, cascatas e lagos. Assim, e contando sempre com a presença das espécies da flora espontâneas em Portugal (medronheiros, azevinhos, sobreiros, entre outros), organiza o jardim com colecções de plantas de espécies oriundas dos cinco continentes. Em 1978 é classificado como Imóvel de Interesse Público.
- A Quinta da Regaleira

Palácio da Pena
(J.  Ventura)  
P. de Monserrate
(R. Cunha)  
Quinta da Regaleira (R. Cunha)

A arquitectura religiosa, forma de manifestação cultural e artística, de expressão erudita ou popular, caracteriza e identifica uma região no que tem de mais simbólico, se considerarmos as lendas que se associam aos locais, às festas e aos cultos.
Ordens religiosas em Sintra:
A Ordem dos Carmelitas (Convento de Santa Ana do Carmo em Colares).
A Ordem de S. Jerónimo (Mosteiro da Penha Longa - Quinta da Penha Longa).
A Ordem dos Templários (Casa dos Templários - Vila de Sintra).

Capela circular de Janas
(J.L. Dória)
Peninha
(José Ventura)

As capelas e ermidas existentes no concelho de Cascais estão relacionadas com as edificações militares de defesa que pontuam o litoral desde Lisboa.


Após a Restauração, foi delineada uma estratégia defensiva da barra do Tejo. Ao longo da costa, desde a ponta do Espinhaço até Lisboa, foram construídas pequenas fortificações que cruzavam fogo entre si, defendendo os areais, possíveis focos de desembarques das armadas inimigas.

No concelho de Sintra sentimos a presença marcante do Castelo dos Mouros. Recuperado no século XIX por D. Fernando, segundo os cânones do Romantismo, é uma construção muçulmana, provavelmente do século VIII ou IX. Dentro do perímetro das muralhas encontra-se uma cisterna do século XIII.


Castelo dos Mouros
(J. Ventura)  
Forte do Guincho
(J.M. Laranjo)
 

A vila velha de Sintra, as Azenhas do Mar, Gouveia, Penedo e Ulgueira, no concelho de Sintra, e Figueira do Guincho e Biscaia, no município de Cascais, são povoações exemplares pelo seu valor arquitectónico e harmoniosa integração paisagística.

Azenhas do Mar (J.L. Dória)   Vila de Sintra (José Ventura)

A UNESCO incluiu Sintra na Lista de Sítios do Património Mundial, com a categoria de Paisagem Cultural, salientando o facto de estarmos perante uma paisagem cuja monumentalidade deriva da salutar interacção entre os elementos físicos e humanos e da harmoniosa convivência entre os elementos de diversas épocas históricas e estilos arquitectónicos, o que veio reforçar a importância desta região no contexto internacional.