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FLORA


A diversidade climática, de composição geológica e consequente riqueza dos solos permitem grande diversidade de flora,  de características essencialmente mediterrânicas, ocidental – mediterrênicas, atlânticas e macaronésicas.
Muitas plantas mediterrânicas são ricas em substâncias que lhes conferem propriedades aromáticas e medicinais.

 


Grande parte da vegetação natural actual é constituída por comunidades que substituíram a floresta pós-glaciações que teria como dominante o carvalho-cerquinho Quercus faginea.

 - Origem da vegetação mediterrânica actual.
 - Algumas adaptações das plantas ao clima mediterrânico.
 - Algumas plantas aromáticas e medicinais do PNSC.
 - Algumas plantas do PNSC.


Carvalho-cerquinho (Manuela Marcelino)

Espécies de Conservação Prioritária / Valor Florístico


• O feto-de-folha-de-hera Asplenium hemionitis, o trovisco-nortenho Daphne laureola e o miosótis-das-praias Omphalodes kuzinskyanae espécies em Perigo de Extinção ou em Perigo Crítico de Extinção em território continental, correspondendo as áreas onde ocorrem populações destas espécies a Áreas de Valor Florístico Excepcional.

• O cravo-romano Armeria pseudarmeria, o rapôntico-da-terra Centaurea africana, a Coyncia cintrana, a cravina-brava Dianthus cintranus subsp. cintranus, a Herniaria maritima, as assembleias-bravas Iberis procumbens subsp. microcarpa, o lírio-amarelo-dos-montes  Iris lusitanica, o Juncus valvatus, o Limonium dodartii, o feto-do-botão Woodwardia radicans, a Pinguicola lusitanica, o tomilho-peludoThymus villosus, o samouco Myrica faia, espécies cujas populações em território continental apresentam um estatuto de ameaça inferior a “Em Perigo”. Os locais da sua ocorrência são considerados Áreas de Valor Florístico Muito Elevado.

•A cravinha Silene longicilia, a cocleária-menor Ionopsidium acaule, o verbasco-de-flores-grossas Verbascum litigiosum, espécies endémicas do continente, incluídas no Anexo II da Directiva 92/43/CEE, razão pela qual o Estado Português está obrigado à conservação das populações existentes no Sítio Natura 2000 de Sintra/Cascais e o azevinho Ilex aquifolium, (protegido pelo Decreto-Lei n.º 423/1989, de 4 de Dezembro – D.R., Iª série, n.º 278, pág. 5291). Os locais da sua ocorrência são considerados Áreas de Valor Florístico Elevado.

 As Áreas de Valor Florístico Não Significativo Incluem as populações de espécies não incluídas nas classes anteriores.

Lírio-amarelo-dos-montes 
Iris lusitanica (E. Gameiro)
Cravina-brava
Dianthus cintranus (J. Romão)
Azevinho
Ilex aquifolium (J. L. Doria)
Cravinha
Silene longicilia (M. Marcelino)






























O Litoral

O elenco florístico da faixa costeira é muito variado e reúne grande diversidade de habitats. A vegetação dunar apresenta adaptações especiais, dados os factores fortemente selectivos a que se encontra sugeita. São consideradas áreas de valor máximo do ponto de vista da conservação aquelas onde se encontra o miosótis-das-praias Omphalodes kuzinskyanae: Foz do Falcão, Praia da Samarra, Praia da Adraga, Espinhaço, Praia do Abano e Guia.

No Cabo da Roca ocorrerem alguns dos maiores núcleos de Armeria pseudarmeria, de Dianthus cintranus cintranus e de Coyncia cintrana sendo por isso considerada área de elevado interesse de conservação.

As zonas do litoral no Cabo Raso e a norte do Magoito apresentam também a mesma classificação por aí se verificarem alguns núcleos de Herniaria maritima, Limonium dodartii lusitanicum e uma grande área de ocorrência de Verbascum litigiosum. 
 

 


Miosótis-das-praias Omphalodes kuzinskyanae (Isa Marques)

Cravo-romano Armeria pseudarmeria (M. Marcelino)


A Serra
Cerca de novecentas espécies são flora autóctone, metade das quais mediterrânicas ou oeste-mediterrânicas, cerca de 10 % são endemismos (plantas que a nível mundial só se encontram em determinada área), algumas são espécies ameaçadas ou espécies-relíquia da vegetação que aqui existia antes da última glaciação e que continuam a encontrar na Serra de Sintra condições para sobreviver.
A Serra de Sintra assume valor máximo do ponto de vista da conservação devido à presença de populações de Asplenium hemionitis, Daphne laureola, Ionopsidium acaule e Ilex aquifolium.

Apesar da exuberância, a vegetação da serra encontra-se de facto profundamente alterada relativamente à vegetação natural. A floresta de carvalhos que se implantou na serra de Sintra após a última glaciação foi progressivamente reduzida pela intervenção do Homem que, tal como aconteceu em toda a região mediterrânica, alterou o coberto vegetal, através da pastorícia, primeira actividade não caçadora ou recolectora introduzida na Península, que implicou o uso generalizado do fogo, visando promover as áreas de pastagens em detrimento das florestas nativas e, posteriormente, dos matos, seguidamente pela agricultura, que a arqueologia mostra ter sido intensa nas faldas setentrional e marítima da Serra locais onde ainda hoje se situam a maior parte dos núcleos urbanos do Parque e, posteriormente, através da introdução de povoamentos florestais. Actualmente, a pastorícia quase não tem expressão na Serra de Sintra.

Atingiu-se a mais profunda desarborização na serra em meados do século XVIII. A vegetação natural reduz-se hoje a manchas nos locais mais inacessíveis embora ainda se encontrem representadas quase todas as espécies de Quercus existentes em Portugal.



 


Feto-de-folha-de-hera
Asplenium hemionitis (Nuno Alves)

Carvalho-negral
Quercus pyrenaica (M. Marcelino)


Sob inspiração do romantismo foram construídos, na encosta norte da Serra, sumptuosos palacetes rodeados por flora arbórea vinda das mais diversas partes do mundo. São cerca de 150 as plantas introduzidas de outras áreas do planeta. Uma pequena parte encontra-se hoje naturalizada. Algumas vieram a revelar-se invasoras.

Do ponto de vista da evolução do coberto vegetal, este tipo de intervenção assumiu maior relevo a partir de finais do século XVIII, atingindo maior intensidade em meados do século XIX, com o início da transformação das propriedades agrícolas da encosta Norte da Serra em matas de lazer e em Parques Românticos. O gosto pelo exotismo, característico do Romantismo, determinou a construção de sumptuosos palacetes rodeados por flora oriunda das mais diversas regiões do globo facto que contribuiu decididamente para a construção da chamada Paisagem Cultural. Trata-se de uma paisagem artificial que se traduz numa diminuição significativa do valor natural dos ecossistemas, ainda que este tipo de paisagem seja extremamente importante do ponto de vista cultural.

No século XX, zonas de matos foram florestadas com pinheiro-bravo Pinus pinaster, cedro do Buçaco Cupressus lusitanica, ou eucalipto Eucaliptus globulus. O repovoamento florestal realizado e a transformação das propriedades agrícolas da encosta norte da Serra, em matas de lazer contribuíram para um dos problemas mais graves do PNSC: após o grande incêndio de 1966 criaram-se condições para algumas das espécies exóticas utilizadas revelarem-se invasoras, como foi o caso das espécies do género Acacia, mas também a árvore do-incenso Pittosporum undullatum, a háquia-de-folhas-de-salgueiro Hakea salicifolia e a háquia-picante Hakea sericea ou o ailanto Aillanthus altissima.


Os parques da Pena e de Monserrate

São parques botânicos de inspiração romântica, notáveis exemplos do enriquecimento do património paisagístico por intervenção humana. O Parque da Pena foi plantado por ordem de D. Fernando II no final do Século XIX. Atentas as particularidades do clima e do relevo, recorreu à importação de espécies oriundas de vários pontos do mundo, que passaram a coabitar harmoniosamente com lagos, fontes, palacetes, pavilhões e numerosos caminhos, num conjunto dominado pelo Palácio da Pena. Em meados do mesmo século, Francis Cook arquitectou o Parque de Monserrate, desenvolvendo-o em redor do Palácio onde em tempos se erguera uma capela votiva a N.ª Sr.ª de Monserrate, na aba norte da serra de Sintra. De tónica igualmente romântica e características exóticas, é um jardim com grutas, cascatas e lagos, onde espécies florísticas espontâneas em Portugal crescem lado a lado com inúmeros exemplares vindos dos cinco continentes.


Parque da Pena (Luis Pavão)

Parque de Monserrate (J.L. Dória)


As espécies exóticas

O que são espécies exóticas?
São espécies (plantas, animais, bactérias, virus...) introduzidas pelo Homem, acidental ou intensionalmente, fora da sua àrea natural de distribuição.

Se se expandem autonomamente, competindo com as espécies locais, causando impactos ecológicos e/ou económicos e/ou sociais negativos designam-se INVASORAS.

Como é que as espécies invasoras nos afectam?
As espécies invasoras ameaçam a biodiversidade, os ecossistemas naturais, a produção de alimentos, a saúde pública e a economia do país.


Serra de Sintra - invasão por acácias (J.Alves)


De entre as espécies exóticas que provocam alterações importantes nos ecossistemas, do PNSC salienta-se pela sua abundância: a cana Arundo donax  originária da Ásia, a azeda Oxalis pes-caprea  originária da África do Sul, árvore-do-incenso Pittosporum undullatum  originária do Sudeste da Austrália, o ailanto Aillanthus altissima originária da China, a salgueirinha Hakea salicifolia  originária da Austrália, a háquia-picante Hakea sericea  originária da Austrália e da Tasmânia, o mioporo Myoporum tenuifolium  originária da Austrália, a margacinha-dos-muros Erygeron karvinskyanus  rupícola, originária da Argentina.
Nas áreas do litoral, sobretudo na zona Sul do Parque, o chorão Carboprotus edulis oriundo da África do Sul é a espécie invasora mais espalhada.

Não é ainda conhecida uma solução técnica eficaz aplicável aos ecossistemas nacionais para o problema da infestação por acácias.


Cravo-romano e chorão
(Manuela Marcelino)


Acácia
(Manuela Marcelino)


Problemas


As espécies exóticas invasoras, a expansão urbana (verificada principalmente a partir do século XX), o incremento das actividades ligadas ao turismo ou à construção de segunda habitação e a ocorrência frequente de fogos (alguns de grande dimensão) constituem actualmente os problemas mais graves para o PNSC no que respeita à conservação da flora, extensíveis à fauna e de um modo geral a todos os habitats naturais.

 

 





Convenção sobre a Diversidade Biológica




  Como posso ajudar a 
  preservar a 
  Biodiversidade?

  - Que plantas devo ter
     no meu
jardim?

  - Que plantas 
não 
    devo
 ter no meu 
    jardim?


 


 

Como fazer um herbário? 


 Conheça o Atlas do PNSC