OBSERVAÇÃO DE AVES
O cabo da Roca e o cabo Raso são os melhores locais para observação de aves marinhas. Poderão ser observadas quer aves migradoras quer aves residentes. Como residentes destacamos o escasso corvo-marinho-de-crista Phalacrocorax aristotelis, que pode ser observado desde a Boca do Inferno até a norte da serra de Sintra, ou no cabo da Roca o raro falcão-peregrino Falco peregrinus. A migradora mais facilmente observável, entre o Guincho e o cabo Raso, é o ganso-patola Morus bassana, no Outono e Inverno e especialmente no mês de Março.
A águia-de-asa-redonda Buteo buteo é residente e pode ser observada facilmente na serra, nas encostas sul e oeste, e na zona agrícola do PNSC. A águia de Bonelli Aquila fasciata embora outrora nidificasse no litoral, devido ao aumento da pressão humana, refugiou-se nas zonas florestais mais inacessíveis da serra. A sua observação é difícil. O rabirruivo-preto Phoenicurus ochrurus pode ser visto em todo o litoral rochoso e nos afloramentos graníticos da serra, em qualquer altura do ano. Nos meses de Setembro e Outubro podem ser observadas aves migradoras como o papa-moscas-preto Ficedula hypoleuca ou a felosa-dos-juncos Acrocephalus schoenobaenus.
No centro de Educação Ambiental da Peninha realiza-se, na primeira quinzena de Setembro, a campanha de anilhagem de aves migradoras. É possível colaborar na campanha desde que devidamente inscrito.
OBSERVAÇÃO DE FLORA
No que se refere à flora o destaque será para o período de floração da vegetação, de características predominantemente mediterrânicas. Na Primavera os matos apresentam uma exuberante diversidade de flores. Muitas destas plantas têm características aromáticas ou medicinais. Poderá observar por exemplo as flores brancas dos estevais de Cistus ladanifer de Maio a Junho ou as amarelas do tojo-gatunho Ulex densus de Fevereiro a Novembro. As violetas Viola odorata são frequentes, a ladear os caminhos da serra, de Fevereiro a Abril. No cabo da Roca, de Março a Junho, o cravo-romano Armeria pseudarmeria espécie que apenas existe na península de Lisboa, encontra-se em floração. O único local onde se pode encontrar o trovisco-lauréola Daphne laureola em Portugal é a serra de Sintra, junto às Pedras Irmãs. Ainda hoje encontram condições para sobreviver na serra de Sintra algumas espécies-relíquia da vegetação que um clima subtropical húmido outrora permitiu. Para o raro feto-de-folha-de-hera Asplenium hemionitis é este o único local onde consegue sobreviver em Portugal continental.
Na diversidade da vegetação do sistema Guincho-Oitavos é facilmente observável a raiz-divina Armeria welwitschii, de Março a Julho, com as suas flores rosadas ou no Verão o belo narciso-das-areias Pancratium maritimum. Os limónios Limonium sp. Espécies características das arribas, com as suas flores azuladas ou violáceas, algumas existentes apenas no nosso país, também se encontram em floração no Verão.
O final do Verão é a melhor altura para apreciar a vinha “Ramisco” em associação com a maça-reineta de Colares Prunus communis, que dado o clima existente entre a serra e o mar adquire um aroma e sabor próprios, em campos divididos por muros de pedra seca e paliçadas de cana seca.