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PATRIMÓNIO CULTURAL

“Das costas junto ao cabo Sacro, uma é o começo do lado ocidental da Ibéria até à boca do Tagus e a outra é o começo do lado sul até ao outro rio, o Anas e sua embocadura. Ambos os rios vêm do Oriente, mas um desemboca direito até ao Ocidente e é muito maior que o outro, enquanto o Anas se dirige para o sul e limita a região entre os dois rios, a que habitam na sua maior parte os Celtas e alguns Lusitanos que foram trasladados da outra margem do Tagus pelos romanos.” Descrito por Estrabão, eis quanto à situação, esse vértice continental português a que comodamente chamamos “o Sudoeste” (in a, b, c das áreas protegidas de Portugal).



O homem desde cedo teve dificuldades em se fixar nesta longa faixa litorânea, de terras avessas à agricultura. Do mar podia retirar parte da sua subsistência e estabelecer contactos com outras gentes, porém, daí, também, surgiam os grandes perigos da parte dos perigosos corsários. Apesar disso, pequenas comunidades foram-se estabelecendo ao longo da costa, umas na frente oceânica, outras abrigadas num interior próximo, mais fértil e seguro.
Mariscadores do epipaleolítico/mesolítico, com os seus utensílios de pedra; homens do neolítico que ergueram megalitos no Promontório Sacro; marinheiros-mercadores do Mediterrâneo, que aqui aportavam; povos vindos do interior que se fixavam em povoados fortificados; industriosos romanos que exploraram os recursos naturais e criaram estruturas portuárias; filhas do Islão, que desenvolveram urbes comerciais junto dos rios navegáveis; pescadores do atum e da sardinha que por aqui montaram as suas armações... todos por aqui passaram se bem que, tal como noutros trechos do litoral português, de urbanização apenas se possa falar já nos nossos dias.