Pesquisar
FAUNA

Entre a rica fauna desta costa, sobressaem as aves – com inúmeras espécies que procriam nesta região, nela invernam ou utilizam-na como plataforma migratória entre o Norte de África e a Europa.
A fauna das arribas
É no domínio da avifauna que as arribas marítimas assumem importância particular pelo elevado número de espécies que aí procriam. Podemos aí destacar o Guincho ou Águia-pesqueira (Pandion halietus) que utiliza esta costa rochosa como local de nidificação. Sendo uma ave de rapina que possui uma alimentação especializada em peixes, tem a característica de ter as patas cobertas com escamas rugosas. A sua plumagem oleosa permite-lhe ter um grau de impermeabilização importante para os seus mergulhos.

A Águia-de-Bonelli (Hieraaetus fasciatus) é outra espécie que utilizava as arribas marítimas da costa como local de nidificação. A elevada perturbação provocada pelos pescadores à linha durante o fim do inverno e primavera tem impedido a reocupação dos locais de onde desapareceu recentemente.
Outra ave residente que utiliza as concavidades das arribas e ninhos antigos de outras espécies para nidificar é o Falcão peregrino (Falco peregrinus). É uma ave grande e robusta que é possível observar junto às escarpas , cujo voo atinge velocidades de trezentos e sessenta quilómetros por hora quando pica sobre uma presa.

Podemos encontrar muitas outras aves residentes nas arribas marítimas entre as quais o Peneireiro-comum (Falco tinnunculus) que se distingue pelo seu comportamento em vôo em que permanece no mesmo local batendo as asas rapidamente antes de picar sobre as suas presas, e também o Peneireiro-das-torres ou Francelho (Falco naumanni) que nidifica em colónias nas arribas.
Os corvídeos, como a Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), a Gralha-de-nuca-cinzenta (Corvus monedula).  O Corvo-marinho-de-crista (Phalacrocorax aristotelis) que se distingue no seu vôo com o pescoço esticado e um rápido batimento de asas.

Uma das espécies mais comuns nesta costa de arribas marítimas é a Cegonha-branca (Ciconia ciconia). Normalmente, nidificam em árvores ou prédios velhos, mesmo em postes de electricidade mas – em situação única no mundo – é aqui que encontrarmos os seus ninhos alcandorados num aparente equilíbrio periclitante. No entanto, estão bem seguros e firmes, sobre as arribas marítimas ou em rochedos junto à costa: os palheirões. A explicação foi a inexistência local até algumas décadas atrás de construções ou árvores altas que oferecessem abrigo face aos predadores. Só os palheirões – verdadeiras ilhotas isoladas no meio do mar – ofereciam a segurança necessária para a criação de uma prole.

Aves migratórias
Não será demais assinalar o magnífico espectáculo a que podemos assistir todos os anos, no início do Outono, junto ao cabo de S. Vicente. A chegada pela aurora de milhares de aves migradoras (passeriformes) recortadas no céu, vindas dos confins do Norte da Europa e que daqui partem feita noite estrelada,  fazendo-se aos céus mar dentro, rumo às longínquas terras do Sul, de África. Elas são, entre tantas outras, o pisco-de-peito-azul (Luscinia svecica), o papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca) e o papa-amoras-comum (Sylvia communis).  Mas também podemos encontrar aves marinhas e costeiras, em trânsito migratório como o alcatraz (Sula bassana) e a andorinha-do-mar (Sterna hirundo) ou aves de rapina como a águia-calçada (Hieraaetus pennatus) que contráriamente aos passeriformes são migradores diurnos e, esporadicamente, mesmo o falcão-da-rainha (Falco eleonorae) ou o búteo-mouro (Buteo rufinus).

Fauna terrestre
De destacar, ainda, quanto à fauna terrestre, a lontra (Lutra lutra) que se abriga nas arribas marítimas e barrancos adjacentes e, caso raro na Europa, utiliza o meio marinho para realizar as suas pescarias.
Encontramos nesta costa e nas suas áreas limítrofes muitas outras espécies da fauna terrestre, entre os quais os texugos (Meles meles), os sacarrabos ( Herpestes ichneumon ), as fuínhas (Martes foina )