A herança cultural de um dado território, em particular no que toca ao património construído, entendendo este nas suas múltuplas vertentes, do espaço urbano às manifestações que nele se destacam ou que com ele interagem, é indissociável das vicissitudes históricas que moldaram esse mesmo território, das multifacetadas relações que os Homens, ao longo dos tempos com ele estabeleceram. Essas relações, que remetem para fenómenos de longa duração, como a estrutura e dinâmica do povoamnento, modos de produção, estruturas económicas, sociais e mentais, definem uma matriz compreensiva, à qual deve obrigatoriamente atender-se quando se pretende avaliar e estudar as manifestações tangíveis de base patrimonial que uma região, mais ou menos ampla, oferece.
Apesar de extenso, o termo de Mértola, no qual se inscreve a área que define o PNVG, nunca conheceu uma densa ocupação humana, mesmo em contexto de apogeu civilizacional, nomeadamente durante o domínio romano e islâmico. Nesses períodos, a lógica de ocupação do espaço não estava, aliás dirigida para a exploração da terra, o que não equivale a dizer que em torno das bolsas de terreno de melhor aptidão agrícola e nas encostas serranas propícias à pastorícia, não se tenha organizado uma malha de pequenos povoados. Estes, contudo, como o comprova a arqueologia, não eram ciclicamente recompostos ou abandonados. Ou seja, existia uma assinalável mobilidade de povoamento e uma notória fraca capacidade das comunidades em promover os seu crescimento.