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HABITATS

 

Sistema ribeirinho

  

As ribeiras do Parque Natural, entroncadas entre o relevo acentuado, apresentam grandes variações do seu caudal, sofrendo de um profundo défice hídrico durante os meses de Verão. Nesta altura a água resume-se aos pegos dispersos ao longo do troço da ribeira. Os pegos são o último reduto de água-doce de muitas espécies de fauna, principalmente importantes para a fauna piscícola.

 

Respondendo a este tipo de condições hidrológicas, o coberto vegetal que reveste as margens apresenta-se em formações arbustivas, constituídas, na sua maior parte, por loendro, tamujo e tamargueira. Caminhando para zonas onde o leito de água corre mais largo a vegetação altera-se, encontrando-se cortinas ripícolas de salgueiros e freixos. Estes corredores ripícolas têm uma função importante na consolidação das margens e na diminuição da erosão das águas torrenciais sobre o solo marginal.

 

Nome comum – Nome cientifico

Loendro – Nerium oleander

Tamargueira – Tamarix africana

Tamujo – Securinega tinctoria

Matagal mediterrânico

As zonas de matagal mediterrânico restringem-se aos vales encaixados dos cursos de água do Parque Natural. Podem, no entanto, encontrar-se ainda na face norte da serra de Alcaria Ruiva. Este habitat sobreviveu ao arroteamento das terras e às campanhas do trigo, sendo representativo do que seria a cobertura do solo antes da intervenção humana. O matagal é caracterizado por apresentar um estrato arbustivo bastante diversificado, em conjunto com a esteva, o sargoaço, o tojo-molar, o trovisco e o gaimão encontram-se arbustos e árvores como o zambujeiro, o lentisco-bastardo, a murta, a aroeira e a azinheira.


Esteva - Cistus ladanifer

Estas espécies de plantas formam, no seu conjunto, uma vegetação densa extremamente importante na conservação dos solos, impedindo o arrastamento das terras pelas águas de escorrência e favorecendo a infiltração das águas no solo, enriquecendo-o. Tendo em conta que são áreas acidentadas, onde as águas de escorrência ganham maior velocidade e maior impacto devastador do solo este facto reveste-se de maior importância.

Ainda estando muito por conhecer do sentido de orientação das aves, sobretudo nas rotas de migração, é conhecido que as linhas de costa e as linhas de água de maior expressão, como o rio Guadiana, são utilizadas como linhas de orientação sobretudo pelas aves de menores dimensões como os passeriformes. Ao longo do curso de água em zonas de vegetação bem desenvolvida procuram refúgio e alimento durante as paragens a que são obrigadas na sua rota migratória. Os matagais pela diversificação florística que apresentam, fornecem alimento variado permitindo o acolhimento de várias espécies de aves.

 

Nome comum – Nome cientifico


Esteva – Cistus ladanifer

Sargoaço – Cistus salvifolius

Tojo-molar – Genista triacanthos

Trovisco – Daphne gnidium

Gaimão – Asphodelus ramosus

Zambujeiro – Olea europea

Lentisco-bastardo – Phillyrea angustifolia

Murta – Myrtus communis

Aroeira – Pistacia lentiscus

Azinheira – Quercus rotundifolia

 

Montados

Desde muito cedo que, por acção do Homem, o bosque mediterrânico primitivo foi dando lugar ao montado. Actualmente, a azinheira enquanto parte do montado, é um dos elementos residuais desse bosque. O montado é, assim constituído por povoamentos mais ou menos dispersos de azinheira ou sobreiro, sendo no seu sub-coberto cultivado cereais de sequeiro, que normalmente são alvo de rotação com pastagens.


Azinheira - Quercus rotundifolia

Na região em que se insere o Parque Natural os montados são predominantemente de azinho, uma vez que o sobreiro é menos resistente a elevadas amplitudes térmicas e à secura estival, características climatéricas desta zona.

 

Estes povoamentos de sobro e azinho, explorados de forma extensiva, são bastante ricos em fauna, apresentando grande diversidade de espécies de aves. São procurados como local de nidificação, de abrigo ou de alimentação. Podem ser observadas aves tipicamente associadas ao tipo de coberto arbóreo, como as trepadeiras e pica-paus, ou as aves associadas ao estrato herbáceo, pastagem ou cereal. É esta multi-estrutura característica dos montados, que diversifica o tipo de nichos ecológicos disponíveis permitindo acolher um grande número de espécies de fauna e flora.

 


Matos

 

No Parque Natural ocorrem vastas áreas de charneca arbustiva que são constituídas por plantas adaptadas ao elevado índice de secura que é característico da região. Após o abandono da exploração agrícola extensiva, as terras são colonizadas por espécies arbustivas pioneiras, como são o caso da esteva, do sargaço, da roselha, do sargoaço, do rosmaninho e do tojo-molar; garantindo mais tarde a fixação e desenvolvimento de espécies arbóreas.

 

Os matos são o exemplo de uma estratégia adaptativa às condições de radiação solar intensa e a uma prolongada estação seca que tornam a água no principal factor limitante. Captar água e aproveitá-la bem são necessidades vitais. Folhas estreitas como na esteva ou rugosas como na roselha, reduzem a superfície de transpiração; a sua acentuada inclinação limita a radiação solar incidente e o revestimento da página superior por substâncias pegajosas e brilhantes que reflecte uma grande parte da mesma. As folhas espinhosas e recobertas de pêlos do tojo-molar desempenham função semelhante.

 

 

Nome comum – Nome cientifico

Esteva – Cistus ladanifer

Sargaço – Cistus monspeliensis

Roselha – Cistus crispus

Sargoaço – Cistus salvifolius

Rosmaninho – Lavandula stoechas

Tojo-molar – Genista triacanthos

 


Estepe Cerealífera

 

O arroteamento do bosque mediterrâneo original, que progressivamente foi dando lugar aos campos de cultivo alcançou o seu auge com a campanha do trigo nos anos trinta. Este processo deu origem à principal unidade paisagística do Parque Natural: a estepe cerealífera.

 

Originariamente o termo “estepe” deriva de Stipa, género das plantas que dominam nas estepes naturais da Europa central. A predominância de plantas herbáceas, sobretudo da família das gramíneas e a constituição faunística induz a uma certa semelhança entre as estepes naturais da Europa Central e as estepes cerealíferas. Paralelamente a constituição avifaunística é muito semelhante, ambas constituídas por espécies bem adaptadas a horizontes visuais vastos. São aves que constroem os seus ninhos ao nível do solo, que apresentam apurados sentidos de visão e audição, hábitos corredores, plumagem críptica e cujas crias apresentam normalmente comportamento nidífugo.

 

O sistema de rotação associado à estepe cerealífera influencia as espécies de aves que irão ocorrer em cada uma das fases: seara, pousio e alqueive. O tipo de solos e clima característicos da região induzem os agricultores a realizarem um ciclo agrícola próprio, diferente dos restantes do país. Nos dois primeiros anos planta-se cereal; no primeiro ano cereal mais exigente do ponto de vista do solo, como o trigo e no segundo um que exija menos do solo como a cevada. A duração do pousio é variável, mas regra geral são três anos e na Primavera do último ano é deixado em alqueive, até à época de sementeira. Este tipo de ciclo agrícola permite que exista sempre uma boa percentagem do solo numa das fases, tornando a paisagem num verdadeiro mosaico, essencial para estas espécies sobreviverem.

 

 

Habitats Naturais

 

A área do Parque Natural inclui importantes matagais arborescentes de zimbro (Juniperus turbinata subsp. turbinata) (5210) e bosques de azinheira (Quercus rotundifolia). Estas manchas de vegetação original encontram-se restringidas às zonas mais inacessíveis, ao longo dos vales das principais linhas de água, onde a intervenção humana pouco se faz sentir.

 

Importa destacar a vegetação própria dos cursos de água mediterrânicos intermitentes, nomeadamente os matagais ou bosques baixos de loendro (Nerium oleander), tamujo (Fluggea tinctoria) e tamargueira (Tamarix spp.) associados ao leito de estiagem (92D0), os matos rasteiros de leitos de cheia (6160) e as galerias dominadas por choupos e/ou salgueiros (92A0). 

 

 

Associadas a estes cursos de água ocorrem espécies da flora de interesse comunitário, que têm aqui uma percentagem muito significativa da sua população, tais como Marsilea batardae e Salix salvifolia subsp. australis


Mais dispersos encontram-se os Charcos Temporários Mediterrânicos e “Subestepes de gramíneas e anuais de Thero-Brachypodietea” que reforçam o valor biológico desta área por serem considerados prioritários para a conservação. 

 

Ver Habitats Naturais da Directiva Habitats existentes no Parque Natural do Vale do Guadiana