O abutre-preto Aegypius monachus, espécie criticamente em perigo, voltou a nidificar em Portugal. Idanha, a cria nascida em Abril no Parque Natural do Tejo Internacional, é a terceira nos últimos 40 anos e já começou a voar fora da colónia onde nasceu.
O abutre-preto deixou de nidificar em Portugal devido à perseguição de que foi alvo, ao uso de venenos e à destruição do habitat de nidificação. A espécie manteve-se, no entanto, presente na faixa fronteiriça das regiões centro e sul com indivíduos provenientes de Espanha onde existe uma população de 1845 casais. Voltou a nidificar em Portugal, no Tejo Internacional, com sucesso em 2010.
Segundo a Quercus, que tem procurado reduzir as ameaças a esta espécie, são três os casais de abutre-preto a nidificar na colónia do Tejo Internacional, embora sejam entre 100 e 120 os abutres que utilizam esta região portuguesa, vindos de Espanha. Os ninhos estão numa zona de caça turística, o que prova ser possível compatibilizar esta actividade com a conservação da natureza, desde que sejam seguidas as regras definidas.
Actualmente as principais ameaças à conservação desta espécie são o uso ilegal de venenos, a perturbação durante o período reprodutor nas zonas de nidificação e a redução de alimento disponível nos campos, na sequência das normas sanitárias da EU relativamente ao gado bovino, que impedem o abandono das carcaças no campo.
A Quercus desenvolve um conjunto de acções de conservação, entre as quais acções contra o uso ilegal de venenos e disponibilização de alimento, e acções de vigilância e assistência veterinária, com o objectivo de permitir que a colónia do Tejo Internacional se mantenha e possa aumentar. Três exemplares de abutre-preto são monitorizados via satélite, de forma a conhecer melhor a ecologia da espécie e monitorizar os seus movimentos diários.