Sabendo-se que o tráfico de espécies de fauna e flora protegidas é considerado o terceiro mais importante a nível mundial, logo a seguir ao tráfico de armas e de droga, e que o Brasil é um dos países com maior biodiversidade do mundo, não admira que Portugal seja considerado uma porta de entrada na UE deste tipo de tráfico. Aliás, Portugal é o país, dentro da União Europeia, que apresenta mais voos directos provenientes daquele país.
Estando conscientes desse facto, e embora o problema não seja exclusivo do nosso país, o ICNB enquanto autoridade nacional de conservação da natureza e autoridade administrativa principal CITES, tem vindo a trabalhar no sentido de limitar o imenso volume desse tipo de tráfico.
Para além de nos últimos anos ter sido possível, num esforço conjunto das diferentes entidades nacionais de fiscalização, como a Polícia Judiciária (PJ), as Alfândegas (DGAIEC) e o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA/GNR), desmantelar quatro redes de traficantes de espécies protegidas que envolviam cidadãos portugueses, o ICNB coordena o Grupo de Aplicação da CITES que inclui diversas entidades com competências nesta matéria, como as polícias, alfândegas, serviços veterinários, Procuradoria-Geral de Republica e autoridades regionais de ambiente dos Açores e Madeira.
Através desse grupo procura-se actuar ao nível da aplicação da CITES potenciando os diferentes recursos e competências, actuando de uma forma direccionada através de objectivos bienais e não de uma forma apenas casuística.
Muito naturalmente, o controlo do tráfico de espécies protegidas é uma das suas prioridades, e a colaboração com as alfândegas, nomeadamente no aeroporto de Lisboa, permitiu a detecção de 5 casos de tráfico de ovos (140 ovos) de psitacídeos (araras, papagaios) nos últimos cinco meses, todos provenientes do Brasil, transportados à cintura de forma camuflada, por “correios”, e dos quais aqui fica um pequeno relato.