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Lobo-ibérico

 
.Censo Nacional do Lobo 2002/2003

Durante 2002 e 2003, foi realizado, por uma parceria entre o ICNB e o Grupo Lobo, um Censo Nacional de Lobo cujos objectivos principais foram:
actualizar o mapa de distribuição desta espécie em Portugal, 
estimar o número e distribuição dos grupos familiares existentes, 
analisar a evolução da população relativamente aos resultados obtidos no trabalho desenvolvido ao abrigo do Programa LIFE entre 1994 e 1996.

Após compilação da informação existente sobre a presença da espécie, foi realizado trabalho de prospecção de campo que consistiu sobretudo na realização de percursos em busca de indícios de presença da espécie e de estações de escuta e de espera.

A presença da espécie foi detectada em cerca de 20 000km2, dos quais em apenas cerca de 16000 km2 se estima que a espécie ocorra de forma regular (área de distribuição).

A população de lobo em Portugal é constituída por duas subpopulações que apresentam duas situações muito distintas em termos de conservação: a subpopulação que ocorre a norte do rio Douro que, embora apresente alguma fragmentação, se encontra continuidade com a população espanhola, e a subpopulação que ocorre a Sul do rio Douro, que está aparentemente isolada da restante população ibérica, apresentando os dois núcleos que a constituem, um elevado nível de fragmentação entre si.
 
Foram individualizadas 63 alcateias das quais 51 se consideram confirmadas e 12 prováveis. Destas 54 localizam-se a Norte do rio Douro e apenas 9 a sul do mesmo.

A população que ocorre a Norte do Douro encontra-se aparentemente estável. A Sul do Douro embora a situação do núcleo Arada/Trancoso seja aparentemente de estabilidade parece ter-se verificado um agravamento da situação precária existente junto à fronteira.


.Prejuízos sobre efectivos pecuários atribuídos ao Lobo em Portugal

Os prejuízos sobre efectivos pecuários atribuídos ao lobo são indemnizados pelo Estado português desde a entrada em vigor da Lei nº90/88 (Lei de Protecção ao Lobo-ibérico), de 13 de Agosto. Ao abrigo da referida legislação, o ICNB tem a funcionar para toda a área de distribuição do lobo, um sistema de verificação dos ataques atribuídos a esta espécie, avaliação e atribuição das indemnizações correspondentes.

A concretização deste processo é assegurada por uma vasta equipa de trabalho, constituída sobretudo por elementos pertencentes a diversas Áreas Protegidas (AP).

De acordo com o estipulado na legislação em vigor quando da ocorrência de um ataque supostamente causado por lobo, o proprietário, num prazo máximo de 48 horas, contacta a AP responsável pela verificação de prejuízos na área em questão, que por sua vez, no prazo de 5 dias após a participação da ocorrência, envia ao local uma equipa para fazer o levantamento da situação e averiguar se o ataque terá, efectivamente, sido causado pelo lobo.

Nesse caso e, desde que tenham sido cumpridos os requisitos mínimos de protecção dos efectivos pecuários actualmente previstos na lei, ou seja, animais guardados: 
por pastor e 1 cão por cada 50 cabeças de gado ou em locais que os confinem, é posteriormente calculado o valor das indemnizações a atribuir com base nas tabelas oficiais do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas relativas aos preços dos animais domésticos praticados nos mercados da região.

No início da década de 90 o montante anual relativo ao pagamento de indemnizações de prejuízos atribuídos ao lobo era cerca de 100 000 €, tendo este valor vindo progressivamente a aumentar até ao início da presente década.

Este crescimento está sobretudo relacionado com o aumento do conhecimento dos proprietários e das suas associações relativamente ao sistema de indemnizações.

Actualmente, o valor anual de indemnizações corresponde a cerca de 700 000 €, aos quais correspondem cerca de 2500 ataques atribuídos ao lobo por ano, verificando-se uma aparente estabilização destes valores nos últimos anos.

A zona NW do país constitui a de maior incidência de prejuízos, quer em número de ocorrência quer no que respeita ao montante anual de indemnizações.
O tipo de pastoreio utilizado em cada região e a disponibilidade de presas selvagens constituem as maiores condicionantes da ocorrência de prejuízos. Apesar da existência de ataques de lobo a animais domésticos constituir um indicador da presença desta espécie, o seu número não tem correspondência directa com o número de alcateias/animais presentes.

Em Portugal, o pagamento dos prejuízos constitui um dos pilares da conservação desta espécie, uma vez que os ataques sobre os efectivos pecuários são origem de grande parte da animosidade das populações rurais para com este predador.


.Sistema de Monitorização de Lobos Mortos (SMLM)

O SMLM é um sistema de recolha e centralização de todos os lobos encontrados mortos, implementado pelo ICNB em 1999, cujos principais objectivos são: 

- registar de forma sistemática as ocorrências de mortalidade desta espécie
-assegurar um maior e mais atempado conhecimento das causa de morte 
-potenciar o desenvolvimento de estudos com relevância para a conservação desta espécie, garantindo o acesso de informação/material biológico às entidades científicas interessadas em efectuar os mesmos.

O ICNB assegura a coordenação deste sistema, a recolha dos animais mortos e apoia as necrópsias dos animais, tendo como entidades parceiras o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária – responsável pelas necrópsias e análises toxicológicas, o Laboratório de Arqueozoologia do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico – responsável pelo tratamento dos esqueletos. Participam ainda neste sistema outras entidades científicas que se encontram a desenvolver estudos sobre a espécie:

•Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto (CIBIO/UP) - Caracterização da diversidade e estruturação genética do lobo em Portugal.

•Centro de Estudos e Vectores de Doenças Infecciosas – Instituto Nacional de Sáude Dr. Ricardo Jorge – estudo doenças transmissíveis ao Homem por artrópodes

• Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa – diagnóstico de lesões anatomopatológicas, identificação de agentes de natureza parasitária, estudo de Triquinelose, esgana e parvovirus

• Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa / Grupo Lobo – estudos nas áreas de Sistemática, Ecologia, Parasitologia, Fisiologia e Genética

• Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto – estudo de doenças infecciosas

• Secção de Patologia e Clínicas Veterinárias da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – estudos nas áreas de Histologia e Anatomia Patológica, Farmacologia, Toxicologia e Química, Reprodução, Genética, Cirurgia, Semiologia e Clínica Médica, Imageologia, Parasitologia e Microbiologia.

- RELATÓRIO ICNB SMLM/ 1999 - 2008
- CIBIO - RELATÓRIO FINAL LOBO
- IPA Relatório 57
- IPA Relatório 81
- IPA Relatório 92
- IPA Relatório 99 - 1ª parte
- IPA Relatório 99 - 2ª parte
- IPA Relatório 115 - 1ª parte
- IPA Relatório 115 - 2ª parte


Qualquer outra entidade científica interessada em receber amostras de tecido de lobo para desenvolver estudos sobre a espécie deverá enviar  ao ICNB o seguinte formulário devidamente preenchido.

FORMULÁRIO